Fósseis inéditos de pelicossauros com 280 milhões de anos são descobertos no interior do Piauí
3 de mar.
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Paleontólogos brasileiros localizaram pela primeira vez no Brasil fósseis de pelicossauros, um grupo de vertebrados pré-históricos extinto que viveu há cerca de 280 milhões de anos, durante o Período Permiano, na era Paleozoica. Os restos foram encontrados no interior do estado do Piauí, em duas localidades distintas, representando um registro sem precedentes para o país e para o antigo supercontinente Gonduana.
A descoberta foi liderada pelo professor e paleontólogo Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), com a participação de uma equipe de pesquisadores que inclui, entre outros, Kenneth D. Angielczyk, Jörg Fröbisch, Christian F. Kammerer, Roger M. H. Smith, Claudia A. Marsicano, Jason D. Pardo e Martha Richtr.
Dois fósseis foram recuperados em campo ainda em 2018: um osso maxilar localizado em Nazária (PI) e uma vértebra em Palmeirais (PI). De acordo com o estudo científico que descreve os achados, publicado na revista especializada Journal of Vertebrate Palaeontology, as peças fósseis datam de aproximadamente 280 milhões de anos, situando-se no intervalo de tempo em que os pelicossauros eram componentes importantes dos ecossistemas terrestres do Permiano.
Os pelicossauros são reconhecidos como alguns dos primeiros vertebrados terrestres de grande porte herbívoros e carnívoros, e teriam desempenhado papel fundamental na evolução das cadeias ecológicas antigas, abrindo caminho para vertebrados modernos com funções semelhantes em seus ecossistemas. Antes desse achado, fósseis de pelicossauros tinham sido registrados apenas em regiões da América do Norte e da Europa.
Segundo o professor Cisneros, os animais viveram no mesmo período que outras formações fósseis da região, como a Floresta Fóssil de Teresina, onde restos de madeira petrificada datados do Permiano também foram estudados, proporcionando contexto paleoambiental para a fauna e a flora do passado remoto da região.
O pesquisador destacou que a conclusão do estudo levou vários anos de trabalho, em parte devido à complexidade das comparações com fósseis de outras partes do mundo. “Os estudos são complexos, sempre demoram meses ou anos. É necessário viajar, visitar outros museus para comparar com os fósseis encontrados em outras partes do mundo”, afirmou ele, ressaltando também que a pandemia contribuiu para atrasos nos esforços de análise e pesquisa.
Além de ampliar o conhecimento sobre a paleofauna do Brasil e de Gonduana no Permiano, a descoberta inédita de pelicossauros no Piauí acrescenta evidências importantes sobre a distribuição geográfica e a diversidade desses vertebrados primitivos, reforçando a relevância paleontológica da região para a compreensão da evolução dos vertebrados terrestres.
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