Família triplica a renda com cultivo hidropônico de hortaliças no Norte de Minas
gazetadevarginhasi
9 de abr. de 2025
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No município de Águas Vermelhas, no Norte de Minas, a agricultora Maria da Glória de Jesus Silva, ao lado do marido e dos três filhos, encontrou na hidroponia uma nova forma de prosperar no campo. Há mais de duas décadas dedicada ao cultivo tradicional de hortaliças, a produtora viu na técnica sem uso de solo a chance de ampliar sua produção e atender a uma demanda crescente por alimentos mais saudáveis.
No sítio batizado de Hortaliças da Glória, a família cultiva alface, coentro e cebolinha utilizando o sistema hidropônico. A decisão pela mudança veio da constatação de que o volume e a qualidade da produção anterior não eram suficientes para atender o mercado, especialmente o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), para o qual passaram a fornecer.
“Estávamos produzindo pouco e queríamos alcançar novos mercados, inclusive o Pnae. Além disso, a procura por hortaliças hidropônicas era grande”, relata Maria da Glória. Em apenas dois anos com o novo modelo de cultivo, os resultados foram expressivos: a renda da família triplicou e o trabalho tornou-se menos exaustivo, graças à automação de parte do processo.
Lean Cássio Figueiredo e Sousa, extensionista da Emater-MG que acompanha a família, destaca que o retorno financeiro rápido está ligado à alta produtividade, menor perda das hortaliças e à demanda aquecida. “É um mercado em expansão, com consumidores atentos à qualidade dos alimentos. A hidroponia, por não usar agrotóxicos, atrai esse público”, observa.
Desafios e perspectivas
A principal dificuldade enfrentada foi na implantação das estruturas das estufas e bancadas, que exigem mão de obra especializada e investimento elevado. Para isso, a família recorreu ao crédito rural. A adubação também demanda mais conhecimento técnico e custos mais altos que o sistema tradicional. Outro ponto de atenção é a qualidade da água, essencial para evitar contaminações por bactérias e fungos.
Apesar dos desafios, o retorno tem compensado. “O sistema funciona o ano inteiro, o que garante produção contínua. Para essa família, foi um divisor de águas”, afirma Lean Sousa.
Nem todas as hortaliças se adaptam à hidroponia — a couve, por exemplo, continua sendo cultivada de forma tradicional. Atualmente, são produzidos cerca de 500 pés de hortaliças por mês, vendidos diretamente no sítio, em feiras, lanchonetes e para a merenda escolar via Pnae.
Além das hortaliças frescas, a família comercializa frutas, temperos artesanais e produtos minimamente processados. Para o futuro, o plano é expandir a produção hidropônica e aumentar ainda mais a renda gerada pela agricultura familiar.
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