Laboratório da Epamig analisa azeitonas e azeites para identificar suas potencialidades
5 de mar. de 2025
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O Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé, no Sul de Minas, oferece suporte aos empreendedores da olivicultura em todas as etapas da cadeia produtiva. A unidade conta com um laboratório de análises físico-químicas que permite identificar os atributos das azeitonas e do azeite, proporcionando maior controle de qualidade ao setor.
Recentemente, o laboratório recebeu novos equipamentos por meio do edital PPE 00049/21, financiado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). O mesmo recurso possibilitou a modernização da agroindústria da unidade.
As análises realizadas seguem padrões físico-químicos e sensoriais, incluindo a determinação de acidez livre, índice de peróxidos e extinção específica no ultravioleta. Esses parâmetros ajudam produtores e pesquisadores a compreender melhor a qualidade do azeite.
“A classificação do azeite, seja extravirgem, virgem ou lampante (impróprio para o consumo, mas que pode ser refinado e misturado para comercialização), depende dessas análises”, explica a pesquisadora Amanda Souza, pós-doutoranda na Epamig.
Acreditação e novos avanços
A equipe do laboratório busca a acreditação junto ao Inmetro e o credenciamento na Rede de Laboratórios do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o que permitirá a emissão de laudos oficiais para classificação do azeite. Atualmente, os resultados são utilizados como referência para produtores e pesquisadores.
Além disso, a Epamig já aprovou um projeto para implantar um painel sensorial, técnica que complementa as análises químicas e permite detectar defeitos não identificáveis em laboratório. No Brasil, apenas dois laboratórios realizam esse serviço: o da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, e o de Defesa Agropecuária do Mapa, no Rio Grande do Sul.
Amanda Souza explica que a análise sensorial avalia tanto atributos positivos, como frutado, amargor e picância, quanto negativos, como ranço, fermentação e mofo. “Essas informações impactam diretamente o produtor, na definição do valor comercial do azeite, e o consumidor, que pode tomar decisões mais informadas sobre sua compra”, ressalta.
Tecnologia e inovação no controle de qualidade
Os estudos da pesquisadora com azeites começaram durante o doutorado na Universidade Federal de Lavras (Ufla), no Laboratório de Pesquisa em Química e Análise de Alimentos (Laquili), sob orientação do professor Cleiton Nunes. A pesquisa utiliza smartphones para avaliar a qualidade do azeite de oliva.
“A ideia foi substituir técnicas laboratoriais tradicionais por imagens digitais, aplicando a colorimetria por imagem digital para determinar índices de peróxidos e acidez livre”, explica Amanda.
O método oferece vantagens como menor custo, maior precisão – ao eliminar subjetividades da avaliação visual – e mais sustentabilidade, reduzindo em até 98% o uso de produtos químicos.
A inovação pode tornar o controle de qualidade do azeite mais acessível e eficiente para produtores e pesquisadores.
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