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Lula se afasta da articulação política e abre espaço para divergências com o Centrão


As dificuldades do governo na relação com o Congresso Nacional são avaliadas de formas diferentes pelos parlamentares, mas há um ponto de consenso: a culpa é sempre do outro. A base aponta o dedo para o Centrão, que por sua vez cobra mais disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto isso, a oposição promete reagir às críticas feitas pelo petista aos adversários.

Durante seus dois primeiros mandatos, Lula ficou reconhecido por sua habilidade em formar coalizões e negociar com diversos partidos para garantir a aprovação de suas pautas. Essa capacidade de articulação política era considerada um de seus maiores trunfos. O contexto atual de seu terceiro mandato, no entanto, é diferente. Com um Parlamento marcado pelo conservadorismo, o ambiente é pautado por uma polarização acentuada e rusgas políticas.

Parlamentares ligados ao Centrão, liderado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmaram em condição de anonimato, que o presidente demonstra "desinteresse" em negociar. Apesar de Lula verbalizar a intenção de melhorar a relação com o Legislativo, a percepção é de que ele está "de saco cheio" do “fazer política” que o cargo exige.

O problema não se limita, de acordo com os deputados ouvidos, apenas na articulação governamental, que avaliam como uma "falta de empoderamento das lideranças governistas". Também destacam a ausência do "articulador principal, que é o presidente". José Guimarães (PT-CE) lidera o governo na Câmara, Jaques Wagner (PT-BA) no Senado, e Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP) no Congresso.

Enquanto isso, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, está desde o início do mandato numa espécie de corda bamba, tentando se manter no cargo. Ao mesmo tempo, coleciona desacordos públicos com Lira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e outros atores políticos.

Além disso, congressistas ouvidos por O TEMPO Brasília criticaram as declarações de Lula sobre os parlamentares de oposição. Um político afirmou que o petista "vai colher tempestade" devido à sua postura. Uma declaração que teve repercussão negativa foi feita na terça-feira (27), quando Lula afirmou estar feliz "porque os adversários ficam muito putos".

Já na base governista…
Por outro lado, os parlamentares governistas acreditam que cumprem seu papel na articulação política na Câmara dos Deputados e culpam o Centrão pelas dificuldades de relacionamento do presidente. Na segunda-feira (1), durante um evento em Feira de Santana, na Bahia, Lula fez um apelo à base para que a gestão seja defendida efetivamente das “porradas” recebidas. Ele foi enfático ao afirmar que quem critica o governo "não vale uma titica de cachorro" e orientou os deputados: "Temos que levar em conta que não temos que levar desaforo para casa".

Uma integrante da base, ouvida por O TEMPO Brasília, afirmou que “os partidos de esquerda já defendem o presidente todos os dias nas sessões”. Segundo ela, “o que precisa intensificar é a atuação de outros partidos, que são da base, mas originalmente não apoiaram o governo e têm ministros”.

Em busca de ampliar sua base no Congresso, Lula acomodou no último ano nomes do Centrão na Esplanada de seu governo, como os deputados Silvio Costa Filho (Republicanos), que chefia o Ministério dos Portos e Aeroportos, André Fufuca (PP), no Ministério dos Esportes, e Celso Sabino (União Brasil), do Turismo.

As nomeações, contudo, não impediram o governo de acumular derrotas no Congresso em temas da pauta de costume e passar sufoco em assuntos relacionados à economia. Em busca de minimizar o desconforto, uma deputada governista avaliou que Lula quer dar mais "autonomia" aos parlamentares, para evitar a necessidade de que tenha que decidir vetar propostas ou trechos de projetos que tratem de temas sensíveis.
Fonte: O Tempo

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