Massa de poeira do deserto do Saara cruza o Atlântico e deve atingir o Brasil, alcançando regiões do Norte e Nordeste
26 de fev.
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Uma massa de poeira originária do deserto do Saara, no norte da África, está sendo transportada pelos ventos alísios sobre o Oceano Atlântico tropical em um fenômeno atmosférico natural que deve alcançar partes do Norte e do Nordeste do Brasil nos próximos dias, segundo meteorologistas que monitoram a movimentação das partículas suspendidas na atmosfera. Mapas de previsão indicam que a poeira poderá elevar a concentração de material particulado no ar, tanto na fração mais grossa, conhecida como PM₁₀, quanto na mais fina, denominada PM₂,₅, que pode penetrar profundamente nos pulmões humanos e alcançar a corrente sanguínea.
O deserto do Saara, considerado a maior fonte de poeira mineral do planeta, tem suas micropartículas erguidas do solo por ventos fortes e correntes atmosféricas dominantes. À medida que a massa de poeira viaja sobre o oceano, as partículas mais leves e finas permanecem suspensas por tempo e distância suficientes para alcançar o continente americano. Essa trajetória transatlântica é uma ocorrência que pode se estender por mais de 5 mil quilômetros, conectando o norte da África ao território brasileiro e a outras regiões da América do Sul, Central e do Caribe.
Esse tipo de transporte de poeira já foi observado em eventos anteriores e faz parte da dinâmica atmosférica conhecida como camada de ar saariana: uma camada de partículas minerais suspensas que pode ser deslocada por grandes distâncias quando as condições meteorológicas são favoráveis. A presença dessas partículas em níveis elevados pode reduzir a visibilidade, turvar o céu e impactar a qualidade do ar em áreas afetadas.
Especialistas advertem que a elevação de partículas finas no ar pode influenciar a saúde respiratória da população, especialmente de pessoas com condições pré-existentes, como asma ou outras doenças pulmonares, embora o fenômeno também seja um componente natural dos ciclos atmosféricos e não necessariamente indicativo de uma crise ambiental isolada.
Além de seu impacto sobre a atmosfera e a saúde, cientistas destacam que a poeira do Saara desempenha um papel ecológico de longa data: quando depositada na bacia amazônica, parte dessa poeira transporta nutrientes como ferro e fósforo, os quais são importantes para a fertilidade do solo da floresta, que naturalmente carece desses elementos. Esse transporte de material mineral pelo vento é um processo que contribui para a manutenção de ecossistemas distantes e interligados por ciclos naturais da atmosfera.
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