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Mexicano que anunciou fábrica da Lamborghini é alvo de operação da PF


A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã de quinta-feira (4) uma operação que visa combater crimes financeiros em vários Estados do Brasil. O líder da organização criminosa é um mexicano residente no Brasil, segundo a investigação. Entre outras fraudes, ele se passava por executivo da Lamborghini, marca de carros italianos esportivos de luxo. Chegou inclusive a fazer reunião com representantes do governo de Santa Catarina para discutir a instalação de uma montadora no Estado.

Conhecido como Joan Fercí, Jorge Antonio Fernández Garcia não foi encontrado na casa dele, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, na manhã desta quinta-feira. Como havia um mandado de prisão contra ele, passou a ser considerado foragido. O mexicano é investigado no Brasil por ter criado uma criptomoeda usando o nome da da Lamborghini, que nega qualquer relação com ele. No imóvel de Fercí, policiais recolheram documentos que devem ajudar nas investigações.

Joan Fercí comprou o direito de usar a marca em 1996, mas desde que a Lamborghini foi adquirida pela Audi, um braço do grupo Volkswagen, em 1998, há ações judiciais contestando o uso do nome. Em Santa Catarina, Fercí afirmou que instalaria uma fábrica, com sede em Balneário Camboriú, mas os investimentos não foram detalhados. Seriam projetos em 20 áreas, ao longo de 30 anos. Uma das reuniões para tratar sobre o suposto investimento aconteceu em abril de 2021, e contou com a presença da governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr. Outra foi com o prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira (Podemos). Antes das promessas no Brasil, Fercí já havia iniciado tratativas iguais prometendo abrir fábrica da Lamborghini no Uruguai (em 2013), na Argentina (em 2014 e em 2020) e no Paraguai (2019).

Mas ele não falava da perda do direito da marca italiana e que, na verdade, tinha participação na Lamborghini Latinoamérica, com sede no México. A empresa latinoamericana chegou a produzir carros, incluindo o modelo Coatl. Mas apenas cinco unidades saíram da fábrica. Isso há quase duas décadas. Nos últimos 18 anos, a Lamborghini Latinoamérica não produziu nenhum veículo.

Desde então, conforme o site da empresa, ela estaria trabalhando em protótipos de um carro elétrico, 100% sustentável, para concorrer com a Tesla, do bilionário Elon Musk. No mais, o site oferecia peças de roupas e acessórios com a marca Lamborghini. Já os governos de Santa Catarina e de Balneário Camboriú, que haviam divulgado amplamente as reuniões sobre o suposto projeto de fábrica da marca italiana em seus territórios, pagaram tudo após a verdadeira emitir nota Lamborghini, ainda em abril de 2021, alertando que não tinha a ver com aquilo.

Mexicano já foi condenado nos EUA
Batizada de Second Place, a operação desencadeada pela PF nesta sexta quinta-feira mira Joan Fercí por associação criminosa, crimes contra o sistema financeiro nacional, estelionato, fraude com utilização de ativos virtuais, valores mobiliários ou ativos financeiros, e evasão de divisas. Ele se associou a criminosos envolvidos em pirâmides financeiras e movimentações de capital, segundo a PF. As penas para esses crimes, se somadas, podem chegar a 21 anos de reclusão. A PF afirmou, em nota, que Joan Fercí já tem uma condenação transitada em julgado nos Estados Unidos, em 16 de junho de 2020, por falsificação de contrato e assinatura falsa, tendo sido condenado a pagar 6 milhões de dólares (cerca de R$ 30 milhões). Ou seja, ele já era um condenado quando esteve com autoridades catarinenses, que acreditavam no projeto de uma fábrica da Lamborghini.
Fonte: O Tempo

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