Número de possíveis vítimas atribuídas a desembargador em Minas Gerais aumenta para cinco, diz investigação
27 de fev.
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O número de pessoas que afirmam ter sido vítimas de supostos abusos sexuais atribuídos ao desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), subiu para cinco, conforme atualização divulgada em reportagens nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026. As denúncias estão sendo analisadas no âmbito de um procedimento administrativo conduzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo informações de veículos de imprensa.
As denúncias de possíveis vítimas emergiram em meio à repercussão de um julgamento polêmico na 9ª Câmara Criminal do TJMG no qual o desembargador foi relator de um caso envolvendo um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. Em primeira instância, o réu havia sido condenado a nove anos e quatro meses de prisão, mas, na fase de recurso, Láuar entendeu que havia um “vínculo afetivo consensual” entre o homem e a criança, o que levou à absolvição inicial do suspeito e também da mãe da menina. Essa decisão formou maioria ao lado do desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo, enquanto a desembargadora Kárin Emmerich votou de forma divergente. Posteriormente, com grande repercussão pública e institucional, o relator reviu sua posição, restabeleceu a condenação e decretou a prisão do homem e da mãe da adolescente, que está sob guarda legal do pai.
De acordo com as informações divulgadas, as cinco possíveis vítimas já prestaram depoimento ao CNJ, sendo que uma delas reside fora do Brasil e participou da oitiva por videoconferência. Em avaliações preliminares, investigadores consideram os relatos dessas pessoas consistentes, o que motivou a ampliação do número de casos registrados no órgão.
Entre os relatos está o de Saulo Láuar, de 42 anos, primo do desembargador, que afirmou ter sido vítima de uma tentativa de abuso quando tinha 14 anos, segundo apurado pelas reportagens. Ele declarou que teria recebido posteriormente uma ligação do magistrado pedindo que não comentasse o ocorrido. O depoimento foi prestado ao CNJ na cidade de Teófilo Otoni, em Minas Gerais.
O TJMG divulgou nota informando que instaurou um procedimento administrativo para apurar os fatos, mas que o desembargador investigado não irá se manifestar sobre as acusações neste momento, segundo o que foi comunicado ao veículo que publicou a matéria original.
As apurações seguem em sigilo, em função da natureza das denúncias e das normas que protegem as investigações envolvendo possíveis vítimas de abuso sexual e menores de idade, e não há conclusão formal sobre culpabilidade ou responsabilidade do magistrado até o momento.
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