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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 02/06/2026

  • 2 de jun.
  • 2 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo
Heranças Administrativas e o Velho Costume de “Passar Pano”

Na política municipal brasileira, existem prefeitos que assumem administrações organizadas, com dinheiro em caixa, obras em andamento dentro da normalidade, equipe técnica experiente e uma cidade em crescimento graças a investimentos e empresas atraídas por gestões anteriores. Nesses casos, governar torna-se menos difícil, pois a estrutura já está pronta e funcionando.
Por outro lado, há prefeitos que recebem verdadeiros campos minados administrativos: obras inacabadas, algumas até inauguradas antes de concluídas, contratos questionáveis, possíveis irregularidades jamais investigadas e uma máquina pública desorganizada. Em muitos casos, encontram também uma Câmara Municipal omissa, composta por vereadores mais preocupados em usufruir das benesses do poder do que em exercer a verdadeira função de fiscalizar.
Não raramente, vê-se vereador tendo nome citado em inaugurações de obras como se fosse favor pessoal à população, enquanto projetos casuísticos, por vezes de constitucionalidade duvidosa, são aprovados em troca de apoio político. A fiscalização desaparece, o debate público enfraquece e o interesse coletivo acaba substituído por conveniências de grupos.
O problema é que os prejuízos dessas práticas não desaparecem com o fim do mandato. Eles ficam para a população e para quem assume depois. O novo gestor muitas vezes precisa corrigir erros antigos sem sequer poder apontar claramente as responsabilidades do antecessor, sob pena de ser acusado de perseguição política ou de alimentar conflitos institucionais.
Como se não bastasse, há situações em que o governante recém-eleito ainda se vê pressionado a manter secretários, assessores e figuras ligadas ao grupo anterior, algumas cercadas por questionamentos sobre idoneidade ou supostos atos irregulares. O resultado é uma administração engessada antes mesmo de começar.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável: será que esse hábito das autoridades de “passarem pano”, fingirem que não viram ou evitarem investigações sérias não é justamente um dos fatores que atrasam o Brasil?
Quando irregularidades deixam de ser apuradas, quando a fiscalização se torna seletiva e quando interesses políticos prevalecem sobre a responsabilidade pública, perde-se muito mais do que dinheiro. Perde-se confiança nas instituições, eficiência administrativa e, principalmente, a esperança de que a política possa realmente servir à população.
O Brasil não avançará plenamente enquanto erros graves forem tratados como meras divergências políticas e enquanto a fiscalização existir apenas no discurso. A democracia exige independência entre os poderes, coragem para investigar e compromisso verdadeiro com o interesse público - independentemente de quem esteja no poder.
E tem mais: alguns prefeitos, ao tomarem coragem para fazer mudanças, às vezes trocam 'seis por meia dúzia' ou um ruim por um pior. Vejamos um exemplo ilustrativo: eles acolhem um ex-diretor da Câmara - apenas para mantê-lo empregado - que nada fez durante seu tempo na Casa de Leis e não possui conhecimento em administração pública. Digamos que ele deixou a entidade do jeito que a recebeu, traiu seu presidente cassado e, consequentemente, assumiu um cargo estratégico no Executivo. Tudo isso sem esquecer que ele é um 'expert' em trabalhar na surdina.

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Gazeta de Varginha

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