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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 04/08/2026

  • 4 de ago.
  • 5 min de leitura
Luiz Fernando Alfredo
Luiz Fernando Alfredo
A democracia das narrativas

Vivemos um tempo em que a tecnologia é capaz de cruzar bilhões de dados em poucos segundos, identificar padrões invisíveis ao ser humano e responder perguntas complexas quase instantaneamente. Ainda assim, existe uma limitação que nenhuma inteligência artificial consegue superar: a falta de tempo do cidadão para fiscalizar quem governa.
Enquanto o brasileiro trabalha, paga impostos, enfrenta filas, tenta manter sua empresa aberta e luta para sobreviver em uma economia cada vez mais sufocada, o Estado continua crescendo. Crescem os gastos, cresce a burocracia, cresce a máquina pública e cresce a distância entre o discurso oficial e a realidade percebida pela população.
Todo governo possui o direito de defender suas políticas. O problema começa quando a narrativa parece se tornar mais importante do que os resultados.
Há um mistério que o governo precisa explicar. Como pode o Brasil ter milhões de famintos e desempregados, segundo o discurso oficial, enquanto empresas afirmam não encontrar mão de obra? Se a pobreza é tão extrema, por que tantas vagas permanecem sem candidatos? Estariam os programas sociais, em alguns casos, desestimulando a busca por emprego? O país precisa de respostas baseadas em dados, não em narrativas eleitorais. Combater a pobreza é gerar trabalho, renda e dignidade, e não transformar benefícios sociais em política permanente de dependência.
O governo do presidente Lula foi eleito prometendo reconstrução nacional, união e prosperidade. Quase quatro anos depois, o país permanece profundamente dividido. A inflação dos alimentos pesa sobre as famílias, a carga tributária continua elevada, a insegurança jurídica preocupa investidores e empreendedores, e o crescimento econômico, quando ocorre, ainda desperta debates sobre sua sustentabilidade e seus efeitos concretos na vida da população.
Entretanto, a comunicação oficial frequentemente apresenta um país otimista, onde indicadores positivos parecem bastar para explicar uma realidade que milhões de brasileiros não reconhecem em seu cotidiano.
É justamente nesse ponto que nasce a desconfiança.
Governos democráticos precisam ser avaliados não apenas pelo que anunciam, mas principalmente pelo que entregam.
A propaganda pode convencer durante algum tempo. A realidade, porém, costuma ser implacável.
Outro aspecto que merece reflexão é o protagonismo assumido por diversas instituições da República nos últimos anos.
Em uma democracia madura, Executivo, Legislativo e Judiciário exercem funções distintas justamente para impedir a concentração excessiva de poder. Esse equilíbrio sempre foi considerado uma das maiores garantias da liberdade.
Nos últimos anos, entretanto, parte expressiva da sociedade passou a questionar se esse equilíbrio permanece intacto.
Há quem veja um Judiciário cada vez mais ativo na definição de temas políticos, enquanto outros entendem que essa atuação foi necessária para proteger a ordem constitucional diante de ameaças à democracia. Independentemente da posição adotada, o simples fato de esse debate existir demonstra que a sociedade está preocupada com os limites institucionais.
Democracias sólidas não temem perguntas.
Elas sobrevivem justamente porque aceitam ser questionadas.
Quando a crítica passa a ser recebida como ataque às instituições, cria-se um ambiente perigoso para qualquer República.
Instituições fortes não precisam ser protegidas da opinião pública.
Precisam apenas agir dentro da Constituição.
A liberdade de expressão também deixou de ser um tema consensual.
Durante décadas, ela foi considerada um dos pilares das sociedades democráticas. Hoje, o debate tornou-se muito mais complexo.
Há quem defenda mecanismos mais rígidos para combater desinformação, discursos ilícitos e ataques às instituições. Outros alertam para o risco de que medidas excessivas acabem restringindo opiniões legítimas e ampliando o poder estatal sobre o debate público.
Independentemente da posição ideológica, trata-se de um tema que exige permanente vigilância.
Toda liberdade possui limites legais.
Mas todo limite ao exercício da liberdade também precisa possuir limites constitucionais.
O mesmo vale para a imprensa.
Uma imprensa livre constitui uma das maiores conquistas das democracias modernas.
Entretanto, liberdade de imprensa não significa imunidade à crítica.
Quando veículos deixam de fiscalizar qualquer governo com o mesmo rigor, inevitavelmente surge a percepção de seletividade.
E a seletividade destrói aquilo que representa o maior patrimônio do jornalismo: a credibilidade.
Não existe imprensa forte sem independência.
Assim como não existe democracia saudável quando governos passam a tratar jornalistas favoráveis como parceiros e jornalistas críticos como inimigos.
A crítica é indispensável.
Inclusive ao próprio jornalismo.
Enquanto isso, o cidadão comum continua enfrentando problemas muito mais concretos do que as disputas ideológicas de Brasília.
Empresários convivem com insegurança regulatória.
Produtores enfrentam aumento constante dos custos.
Profissionais liberais trabalham para sustentar uma máquina pública que parece nunca considerar suficiente aquilo que arrecada.
Os trabalhadores assistem ao poder de compra diminuir enquanto recebem explicações estatísticas que pouco alteram a realidade do supermercado.
Talvez seja justamente essa distância entre os números oficiais e a vida cotidiana que explique parte da crescente descrença nas instituições.
As pessoas não vivem dentro de gráficos.
Vivem dentro de suas casas.
É ali que a economia é julgada.
É ali que a política recebe sua verdadeira avaliação.
Nenhuma campanha publicitária consegue substituir a experiência diária da população.
Nenhuma coletiva de imprensa reduz o preço dos alimentos.
Nenhum discurso melhora sozinho a saúde, a educação ou a segurança pública.
Resultados continuam sendo o único idioma compreendido por todos.
O Brasil não precisa de salvadores da pátria.
Também não precisa de governantes tratados como inimigos permanentes.
Precisa de instituições que funcionem.
De leis respeitadas.
De responsabilidade fiscal.
De estabilidade jurídica.
De segurança para produzir, investir e empreender.
Precisa, sobretudo, de governantes que compreendam uma verdade simples: o poder pertence ao povo, e não ao Estado.
A democracia jamais será preservada pelo silêncio.
Será preservada pelo debate livre, pela transparência, pela alternância de poder e pelo respeito às garantias constitucionais de todos - inclusive daqueles que discordam do governo.
Questionar autoridades não enfraquece a democracia.
Questionar é precisamente uma das formas de mantê-la viva.
O Brasil continuará existindo quando Lula deixar a Presidência.
Continuará existindo quando ministros do Supremo forem substituídos.
Continuará existindo quando parlamentares forem renovados pelo voto.
Governos passam.
Magistrados passam.
Legislaturas passam.
O povo permanece.
E é justamente por isso que nenhuma autoridade deveria temer uma sociedade livre, crítica e vigilante.
Porque uma democracia forte não se mede pela ausência de críticas.
Mede-se pela capacidade de suportá-las sem abandonar os princípios que a sustentam.
Raciocinem: por mais que alguns tenham antipatizado com o governo de Bolsonaro, mesmo massacrado pela imprensa vendida, o fundamental, o preponderante e o prioritário foram feitos. É só analisar os números com seriedade. E não me lembro, do ex-presidente ter prendido ninguém por críticas.
Será que aqueles que não são sugestionados ou alienados pela ideologia socialista não conseguem enxergar quem é esse indivíduo, que se julga Deus, pede para "não tomar seu nome em vão", diz que sofreu mais do que “Jesus Cristo na cruz” e ainda diz que é "a alma mais honesta do Brasil"?


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