Ninguém erra nunca, ninguém paga pelo erro - e o dinheiro é mal gasto no meio do barulho dos ignorantes e omissos
Há uma estranha contradição no serviço público brasileiro: muitos dos que chegam aos cargos dominam a técnica, mas tropeçam no essencial - a noção de responsabilidade. Não a responsabilidade protocolar, de quem assina papéis e cumpre ritos, mas aquela que exige reconhecer o erro, corrigi-lo e responder por ele. Essa, ao que parece, é artigo raro.
O dinheiro público, por sua vez, virou abstração. Trata-se como se não fosse de ninguém - e, portanto, pudesse ser de qualquer um. Esquece-se que ali está condensado o esforço de milhões, o imposto invisível no café, no gás, no salário já minguado. Administrá-lo deveria impor não só competência, mas um certo pudor. Falta o segundo.
E se a política padece de gestores que confundem cargo com imunidade, a sociedade não ajuda quando troca vigilância por espetáculo. Há barulho de sobra: discursos inflamados, indignação em alta rotação, torcida organizada. Mas proposta? Quase nenhuma. Critica-se muito, constrói-se pouco. É o protesto que termina em si mesmo, como se gritar fosse suficiente para governar e fiscalizar.
No outro extremo, cresce a confortável omissão dos que dizem “não gosto de política”. Como se fosse possível terceirizar aquilo que define o preço da vida cotidiana. Não gostar de política não isenta ninguém de seus efeitos - apenas garante que outros decidam por você, com a qualidade que se vê.
Entre a irresponsabilidade de quem governa e a indiferença de quem deveria cobrar, instala-se um vazio conveniente. E, como todo vazio na vida pública, ele é rapidamente ocupado - quase nunca pelo interesse coletivo. Talvez esteja na hora de substituir o barulho pela cobrança qualificada e a apatia pela participação. Porque, no fim, a conta sempre chega. E, como de costume, não é quem erra ou finge que não vê o erro, que paga.
Com base em estudos de sociologia e ciência política, a resposta curta é: nem todas as pessoas entendem o conceito técnico de política, mas a maioria entende o conceito prático e, muito mais à podridão do “modus operandi” brasileiro.
Assistimos a uma “live” no Instagram de Adeir Chaves que somos obrigados a parafrasear. O brasileiro vive no mundo da lua, sonhando com seu time de futebol, sua novela da Globo, o carnaval, seus ídolos e a cervejinha na sexta-feira. Por isso, briga na rua e arruma inimigos no seio da própria família. Entretanto, finge não ver a realidade brasileira: os latrocínios, as roubalheiras, os políticos desonestos, o Banco Master, Vorcaro (alguns acham até que é marca de carro), e a velha - até então calada e mercenária - imprensa denunciando altas autoridades da cúpula brasileira.
Além disso, há o que muitos consideram o maior desgoverno de Lula da Silva e seus aliados, inclusive o Lulinha, protegido pelo Legislativo e pelo STF brasileiro, para não ser julgado no caso do roubo dos aposentados.
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