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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 23/06/2026

  • 23 de jun.
  • 5 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo

Pelé, Estava Certo
Pelé, o maior embaixador do Brasil, afirmou em 1977:
"O povo brasileiro ainda não está em condições de votar por falta de prática, por falta de educação e, ainda mais, porque se vota, em geral, mais por amizade do que nos candidatos."
A declaração foi feita durante o regime militar, mas, passadas décadas, muitos brasileiros continuam considerando suas palavras atuais. Para esses críticos, parcela significativa do eleitorado ainda vota movida por simpatias pessoais, interesses imediatos ou promessas de ocasião, em vez de analisar a trajetória, a competência, o preparo e o caráter dos candidatos.
Nesse contexto, poucas figuras políticas despertam sentimentos tão intensos quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao longo de sua trajetória, Lula acumulou admiradores fervorosos e críticos igualmente contundentes, tornando-se talvez o personagem mais polarizador da política brasileira contemporânea.
Durante seus primeiros mandatos (2003–2010), seu governo foi marcado pelo escândalo do Mensalão, revelado em 2005. O esquema de compra de apoio parlamentar levou à condenação de diversos dirigentes do PT e aliados políticos. Lula não foi denunciado nem condenado nesse processo, embora opositores sustentem que seria difícil imaginar que desconhecesse os fatos.
Também foram frequentes as críticas relacionadas ao aparelhamento da máquina pública, à ampliação das nomeações políticas e ao favorecimento de aliados. Trata-se, contudo, de acusações predominantemente políticas, sem condenações criminais pessoais contra o presidente.
Após deixar a Presidência, Lula tornou-se um dos principais alvos da Operação Lava Jato. Entre os casos mais conhecidos estavam o tríplex do Guarujá, o sítio de Atibaia, investigações envolvendo o Instituto Lula e outras apurações relacionadas a corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
Lula chegou a ser condenado nos processos do tríplex e do sítio de Atibaia, permanecendo preso por 580 dias. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações, entendendo que a Vara Federal de Curitiba não possuía competência para julgar os casos, que ocorreram violações de garantias processuais e que o então juiz Sergio Moro atuou com parcialidade.
É importante destacar uma distinção jurídica relevante: a anulação de uma condenação não equivale necessariamente a uma declaração formal de inocência. Por outro lado, após as decisões do STF e o encerramento de diversos processos, Lula recuperou seus direitos políticos e não possui atualmente condenação criminal válida decorrente da Lava Jato.
Em seu terceiro mandato, iniciado em 2023, as principais críticas dirigidas ao governo concentram-se em temas como gastos públicos, política econômica, nomeações para cargos estratégicos, relações internacionais e supostas tentativas de ampliação da influência do Executivo sobre outras instituições. Diferentemente das acusações da época da Lava Jato, tais questões se situam predominantemente no campo político e ideológico.
Os críticos de Lula o consideram o símbolo dos maiores escândalos de corrupção da história recente do país. Muitos entendem que as anulações judiciais decorreram de questões processuais e não de uma comprovação de inocência material. Outros o classificam como um líder político marcado por contradições, retórica agressiva e frequentes acusações contra adversários.
Já seus apoiadores sustentam que Lula foi vítima de perseguição político-judicial, enxergando as decisões do STF como prova de que seus direitos foram violados e de que a Lava Jato ultrapassou limites legais e constitucionais.
Essas visões antagônicas explicam por que Lula continua sendo uma figura central no debate nacional. Para uns desinformados, representa a ascensão social, a inclusão dos mais pobres e importantes transformações econômicas e sociais. Para outros, simboliza a degradação ética da política brasileira e a consolidação de práticas que contribuíram para a perda de confiança nas instituições.
Os críticos também apontam que, onde há governos petistas, frequentemente surgem escândalos ou suspeitas de irregularidades. Acusam ainda o presidente de recorrer constantemente à narrativa de um inimigo oculto que impediria o progresso dos mais pobres, resumida em discursos do tipo: "Eles não querem que vocês melhorem de vida".
Nesse debate, é fundamental distinguir três aspectos diferentes:
  1. Fatos comprovados e investigados;
  2. Suspeitas e acusações sem condenação;
  3. Divergências ideológicas e políticas.
O caso dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS é um exemplo de fato concreto sob investigação. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União apuram prejuízos bilionários causados por descontos considerados irregulares. Críticos afirmam que o governo demorou a agir; o governo, por sua vez, sustenta que as investigações foram conduzidas durante sua gestão e que medidas de ressarcimento estão sendo adotadas.
Outro episódio amplamente discutido é o caso do Banco Master. As críticas concentram-se nos riscos financeiros e em possíveis impactos sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entretanto, até o momento, não há acusação criminal formal que vincule pessoalmente Lula a irregularidades relacionadas ao banco.
O assassinato do ex-prefeito Celso Daniel permanece como um dos episódios mais controversos da política brasileira recente. De um lado, a versão acolhida pela Justiça aponta para um crime comum ligado a um sequestro. De outro, ex-integrantes do PT e críticos do partido sustentam a existência de motivações políticas e possíveis esquemas de corrupção relacionados ao caso. Até hoje, não houve condenação de Lula ou do PT por participação no assassinato, embora as controvérsias e especulações persistam.
Ao final, a frase de Pelé continua provocando reflexão. O verdadeiro desafio da democracia não é apenas garantir o direito ao voto, mas assegurar que o eleitor tenha acesso à informação, senso crítico e capacidade de distinguir fatos, suspeitas, narrativas políticas e interesses eleitorais. Somente assim o voto deixará de ser um ato de confiança pessoal para se tornar um genuíno instrumento de responsabilidade cívica.
A alienação e a subserviência anestesiaram o Brasil. O país é governado por um populismo cínico que faz da mentira um método, apoiado por uma massa adormecida que prefere o escapismo do pão, circo, praia e "sextou" à dura realidade da ruína institucional.
O Brasil apodreceu em um ciclo vicioso de dependência e ignorância, blindado por uma engrenagem que recompensa a mediocridade.
A Máquina de Blindagem: A impunidade e o cinismo político só se sustentam porque existe uma legião interessada em manter o status quo. Entre eles estão a base governista, os beneficiários de cargos e verbas, e setores da mídia e do judiciário que relativizam os abusos. É a troca de favores institucionalizada: compra-se o silêncio e a cumplicidade para perpetuar o poder.
A Indústria da Mentira: A máxima de "acusar os adversários do que você faz" é a cartilha perfeita do populismo para confundir o eleitor. A narrativa de que o Estado é o único salvador é o disfarce ideal para ampliar o controle, sufocar a liberdade e criar uma legião de dependentes.
O Pão e Circo Moderno: O autoritarismo e a incompetência reinam confortáveis porque a maioria da população está anestesiada. O cidadão médio terceirizou sua responsabilidade cívica. Enquanto o país afunda em dívidas e desmandos, a prioridade nacional segue sendo o "sextou", o reality show, o futebol e as novelas. O óbvio é ofuscado por uma massa que prefere a ilusão de um "final de semana" eterno à realidade de um país em colapso.



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Gazeta de Varginha

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