Democracia versão espectador (com reprise obrigatória)
No Brasil, o cidadão é protagonista… desde que não queira atuar. Seu papel real é mais simples: assistir, reagir e, de preferência, esquecer no próximo capítulo.
Tem gravação? Tem. Tem denúncia? Sempre. Tem indignação? Em estoque permanente. E solução? Em “tramitação”, “análise” ou “momento oportuno”.
O roteiro se repete com precisão quase científica: surgem questionamentos públicos - como no caso do Banco Master, levantam-se suspeitas sobre esquemas que atingem aposentados, prometem-se investigações mais amplas… e então algo trava. Sempre trava. Não se sabe exatamente onde, mas trava com eficiência admirável.
No plano institucional, o espetáculo ganha mais brilho: acusações cruzadas entre lideranças políticas e ministros do Supremo Tribunal Federal, declarações incisivas de Romeu Zema e Ronaldo Caiado… tudo muito firme, muito público, muito televisionado. Resultado prático? Em aberto. Sempre em aberto.
E o mais curioso: esse modelo não é privilégio de Brasília. Ele se replica com eficiência quase artesanal nas cidades. Lá também existem suspeitas, comentários, bastidores, “todo mundo sabe” - e, convenientemente, tudo ganha força mesmo é em época de eleição.
Fora desse período, o silêncio é quase institucional, lógico, com exceção do desgoverno de esquerda, essa lambança, roubalheira, gastança e o fato de Luís Inácio Lula da Silva ter-se tornado um pária internacional dispensa mais acusações em qualquer época, está tão óbvia a sua rejeição que não entendemos o porquê do ladrão e estelionatário não estar na cadeia hoje, bem, talvez seja a vantajosidade que o centrão amealhou no seu governo.
Durante a campanha, surgem dossiês, denúncias, indignações súbitas - e, logo depois das urnas, tudo volta ao seu estado natural: o esquecimento.
Já virou praxe. A tal ponto que muita gente nem acredita mais em briga política - trata como encenação de temporada.
E aí vem a pergunta que insiste em incomodar: se nem diante de tanto barulho o cidadão comum consegue provocar diretamente a responsabilização de uma autoridade por omissão, então o sistema serve exatamente a quem?
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