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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 25/06/2026

  • 25 de jun.
  • 3 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo
A CONTA QUE CHEGOU AO BRASIL

Em tempos eleitorais, o cidadão brasileiro é bombardeado por discursos otimistas, promessas grandiosas e campanhas publicitárias cuidadosamente produzidas. Entretanto, longe dos palanques e das peças de marketing, existe uma realidade que se impõe diariamente à população: a conta do supermercado, da farmácia e das despesas básicas da família.
Embora o governo destaque indicadores positivos da economia, milhões de brasileiros continuam sentindo no bolso o peso do alto custo de vida. Os alimentos permanecem entre as maiores preocupações da população. Carne, café, ovos, leite, frutas e diversos itens essenciais registraram aumentos expressivos nos últimos anos, comprometendo o orçamento principalmente das famílias de renda média e baixa. Para quem precisa fazer as compras do mês, os índices estatísticos muitas vezes parecem distantes da realidade encontrada nas gôndolas dos supermercados.
Ao mesmo tempo, o país convive com uma dívida pública crescente, que já alcança patamares elevados para uma economia emergente. Quanto maior a dívida, maior a necessidade de pagamento de juros, consumindo recursos que poderiam ser destinados a investimentos produtivos, saúde, educação, infraestrutura e segurança pública.
O problema se agrava quando o ambiente político favorece decisões de curto prazo. Em ano eleitoral, a tentação do populismo se torna ainda mais presente. Anunciam-se programas, benefícios, subsídios e investimentos que muitas vezes produzem efeito imediato na popularidade dos governantes, mas cuja sustentabilidade financeira nem sempre é demonstrada com clareza.
Outro aspecto que merece reflexão é o elevado volume de recursos públicos destinado à publicidade institucional. Evidentemente, governos precisam prestar contas de suas ações e informar a população. Contudo, quando as despesas com propaganda atingem cifras milionárias ou bilionárias, surge uma pergunta legítima: qual é o limite entre informar e promover politicamente uma administração?
O contribuinte que enfrenta dificuldades para comprar alimentos, pagar aluguel, energia elétrica, combustível e medicamentos tem o direito de questionar se parte desses recursos não poderia ser aplicada de forma mais eficiente em áreas prioritárias. Afinal, propaganda não reduz filas na saúde, não melhora estradas, não amplia vagas em creches nem aumenta a segurança nas ruas.
A democracia exige transparência, mas exige também responsabilidade. Governos passam; as dívidas permanecem. Campanhas publicitárias terminam; os compromissos financeiros continuam sendo pagos pelos contribuintes. O marketing pode melhorar a imagem de uma gestão, mas não altera a realidade econômica enfrentada pelas famílias.
O Brasil possui enorme potencial. É uma nação rica em recursos naturais, com um agronegócio forte, empresários empreendedores e trabalhadores resilientes. Porém, nenhum país prospera de forma duradoura quando a preocupação com a popularidade supera a preocupação com a sustentabilidade das contas públicas.
Mais do que discursos, o brasileiro precisa de resultados concretos. Mais do que propaganda, precisa de alimentos acessíveis. Mais do que narrativas, precisa de responsabilidade fiscal. Porque, no fim das contas, a realidade sempre prevalece sobre o marketing.
A pergunta que deve nortear qualquer cidadão consciente não é apenas quanto o governo anuncia, mas quanto custa aquilo que está sendo anunciado - e quem pagará essa conta no futuro.
Se a carruagem continuar nesse rumo, o PT talvez esteja assistindo ao próprio último ato. O Brasil pode até não realizar o sonho hexa, mas já começa a desejar algo mais simples: contas que fechem, comida que caiba no bolso e menos propaganda vendendo um país que o cidadão não reconhece no mercado e no açougue. Enquanto isso, o Senado e a Câmara seguem disputados por uma legião de profissionais do balcão de negócios, onde princípios costumam valer menos que emendas e cargos. O eleitor parece cansado de financiar espetáculos caros, slogans reciclados e alianças de ocasião. Talvez a verdadeira reforma política comece quando o brasileiro decidir desinfetar as urnas do fisiologismo crônico que transforma o interesse público em moeda de troca.


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Gazeta de Varginha

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