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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 25/07/2026

  • 25 de jul.
  • 3 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo
No essencial, a unidade; no não essencial, a diversidade; e, em tudo, a caridade

Há frases que atravessam os séculos porque descrevem necessidades permanentes da condição humana. Esta é uma delas. Talvez nunca tenha sido tão atual para o Brasil, não sabemos de quem é, apenas resolvemos desenvolver um texto com o contexto dela.
Vivemos tempos de intensa polarização. O adversário político passou a ser tratado como inimigo; a divergência tornou-se ofensa; a discussão de ideias foi substituída por ataques pessoais. Em meio ao barulho das redes sociais e à disputa permanente pelo poder, a sociedade parece ter perdido a capacidade de distinguir o que realmente é essencial daquilo que admite diferentes opiniões.
No entanto, uma nação não se mantém unida porque todos pensam da mesma forma. Ela permanece coesa quando existe consenso sobre princípios fundamentais.
O essencial não deveria ser motivo de disputa. O respeito à Constituição, à democracia, ao Estado de Direito, às liberdades individuais, à separação e ao equilíbrio entre os Poderes, à igualdade de todos perante a lei, ao combate à corrupção, à responsabilidade com os recursos públicos e ao direito de cada cidadão expressar suas opiniões são valores que pertencem à República, e não a partidos ou governos. Quando esses princípios passam a ser relativizados conforme a conveniência política, a própria confiança nas instituições começa a se deteriorar.
Já no campo do que não é essencial, a diversidade é saudável. É natural que existam diferentes projetos econômicos, distintas visões sobre políticas públicas, prioridades administrativas ou concepções ideológicas. A alternância de ideias é uma das riquezas da democracia. O pluralismo não enfraquece uma nação; ao contrário, impede que ela fique refém do pensamento único.
Infelizmente, o Brasil parece caminhar na direção oposta. Questões secundárias frequentemente ocupam o centro do debate, enquanto problemas concretos permanecem sem solução. O crescimento da dívida pública, a baixa qualidade da educação, as dificuldades da saúde, a violência, a insegurança jurídica, a perda de competitividade da economia e a descrença nas instituições acabam ofuscados por disputas políticas que alimentam manchetes, mas pouco contribuem para melhorar a vida do cidadão comum.
Também é impossível ignorar que parte da sociedade passou a desconfiar das instituições que deveriam servir de referência. A credibilidade de setores da imprensa, de órgãos públicos e até de alguns representantes dos Poderes foi abalada, em grande medida porque muitos brasileiros passaram a perceber tratamentos diferentes para situações semelhantes, seletividade em determinadas indignações e interpretações divergentes conforme os envolvidos. Independentemente de concordar ou não com essas críticas, a simples existência dessa percepção já representa um desafio importante, pois instituições fortes dependem não apenas de autoridade legal, mas também de confiança pública.
Mas é justamente a última parte da máxima que oferece o caminho mais difícil e, talvez, o mais necessário: “e, em tudo, a caridade.”
Caridade não é submissão, nem silêncio diante do erro. Também não significa abrir mão das próprias convicções. Significa reconhecer a dignidade de quem pensa diferente, rejeitar a mentira, evitar a desumanização do adversário e compreender que o respeito não enfraquece argumentos; ao contrário, lhes confere maior legitimidade.
A crítica firme pode coexistir com a civilidade. A defesa apaixonada de princípios pode caminhar ao lado da prudência. A liberdade de expressão encontra sua melhor versão quando é acompanhada da responsabilidade pelas palavras.
O Brasil não precisa de menos debate. Precisa de debates melhores. Não precisa de unanimidade, mas de maturidade. Não precisa eliminar as diferenças, mas aprender a administrá-las sem transformar cada discordância em uma batalha moral.
Talvez a reconstrução da confiança nacional não comece em grandes reformas nem em discursos grandiosos. Ela pode começar em algo muito mais simples: reconhecer aquilo que é verdadeiramente essencial, respeitar as diferenças onde elas são legítimas e nunca abandonar a caridade como forma de convivência.
Uma sociedade que perde a unidade nos princípios torna-se frágil. Uma sociedade que não aceita a diversidade torna-se autoritária. E uma sociedade que abandona a caridade perde, pouco a pouco, sua própria humanidade.
Luiz Fernando Alfredo

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