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Pacientes transplantados reclamam de obstáculos burocráticos e escassez de remédios em MG

Antes da alta, remédios eram fornecidos aos pacientes ainda no hospital; agora, as pessoas precisam se deslocar a postos de distribuição do governo.


Micofenolato de mofetila, medicamento para pacientes transplantados. — Foto: Reprodução/TV Globo
Pacientes transplantados denunciam a implantação de uma nova política de retirada de medicamentos imunossupressores na rede estadual de saúde de Minas Gerais, alegando que está comprometendo o processo de recuperação. Esses medicamentos, essenciais para evitar a rejeição do órgão transplantado, encontram-se em falta no sistema, colocando em risco a saúde e a vida dos transplantados.

Anteriormente, os pacientes podiam acessar os medicamentos antes mesmo da alta hospitalar. No entanto, desde 8 de maio do ano passado, foram implementadas novas regras, exigindo um processo burocrático que pode durar até 45 dias, segundo informações do próprio governo de Minas.

Para os pacientes internados em Belo Horizonte e em outros 39 municípios da região, como Betim, Brumadinho, Caeté e Nova Lima, o acesso aos medicamentos agora requer agendamento prévio pelo Portal MG ou aplicativo MG APP, seguido por uma visita ao posto Uai na Praça Sete. Somente após a aprovação, os pacientes podem agendar a retirada do medicamento na Farmácia de Minas, localizada no bairro Carlos Prates, na Região Noroeste da capital.

A dificuldade de acesso tem mobilizado doações, como o caso de Eliana Honória, que acompanha o marido transplantado. Devido à demora no processo e à falta de medicamento, a equipe médica da Santa Casa, onde o marido está internado, teve que buscar doações para garantir o acesso ao imunossupressor.

"Eles me deram os papéis, primeiro a gente tem que marcar pelo site, eles marcam o dia de a gente ir no posto Uai, a gente vai e lá eles fazem um agendamento pra gente [ir na Farmácia de Minas]. Demora até 5 dias para eles ligarem, mandarem um e-mail dizendo quando a gente pode buscar", contou Eliana Honória.

Médicos especializados em transplantes alertam para os riscos da demora na liberação dos medicamentos e enfatizam a necessidade de acesso imediato, especialmente para pacientes renais. A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia, Liliam Carmo, criticou a falta de consideração com as necessidades específicas dos transplantados e os riscos associados à demora na administração dos imunossupressores.

"Fizeram a mesma solução para todos e não levaram em consideração a particularidade do transplante renal, que precisa de medicação de forma imediata. O paciente não pode, por uma questão óbvia, ficar muito tempo internado. Primeiro que você prende leito, e [segundo] o risco que é para um paciente imunossuprimido ficar cinco dias a mais", argumentou Liliam Carmo.

Falta de medicamentos


A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais confirmou a escassez do medicamento imunossupressor e de outros 29 remédios na Farmácia de Minas, atribuindo a situação aos repasses do Ministério da Saúde. Enquanto isso, a reportagem aguarda um retorno do Ministério da Saúde sobre a questão.

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