Proposta quer elevar mistura de biodiesel para 17% e reduzir pressão no preço do diesel
7 de mar.
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CNA pede aumento da mistura de biodiesel no diesel para reduzir impacto da alta do petróleo.
Confederação defende que ampliar a mistura de biodiesel pode ajudar a conter a pressão sobre os preços do diesel no país.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal a ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel comercializado no país. A proposta é elevar o percentual atual de 15% para 17%, medida que, segundo a entidade, poderia ajudar a reduzir os impactos da alta do petróleo no mercado internacional.
O pedido foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, por meio de um ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva.
Atualmente, o diesel vendido no Brasil já conta com uma parcela obrigatória de biodiesel — combustível renovável produzido principalmente a partir do óleo de soja e de outras matérias-primas vegetais. Esse percentual mínimo é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e hoje está fixado em 15%, prática conhecida no setor como B15.
Caso a proposta seja aprovada, a mistura passaria para B17, ou seja, 17% de biodiesel e 83% de diesel de origem fóssil. O tema poderá ser analisado na próxima reunião do CNPE, prevista para a semana que vem. Se houver aprovação, a nova proporção passará a valer para todo o diesel comercializado no país.
Pressão do petróleo
De acordo com a CNA, a escalada das tensões no Oriente Médio tem pressionado o mercado internacional de petróleo, o que pode provocar aumento no preço dos combustíveis no Brasil. O barril do petróleo tipo Brent crude oil, referência nas negociações globais, chegou a US$ 84, acumulando alta de cerca de 20% desde o fim de fevereiro.
No documento enviado ao governo, a entidade lembra que conflitos internacionais costumam gerar reflexos diretos nos preços dos combustíveis. Como exemplo, cita o período que antecedeu a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, quando o petróleo registrou forte valorização.
Naquele cenário, o valor do barril subiu cerca de 40% no primeiro semestre, provocando aumento de aproximadamente 21% no preço do diesel nas distribuidoras e de 23% na revenda.
Segundo João Martins, ampliar a participação do biodiesel pode fortalecer a segurança energética do país e reduzir a dependência do petróleo importado.
“Em antecipação aos eventuais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, afirmou no documento encaminhado ao ministério.
Reflexos no agronegócio
O preço do diesel é atualmente uma das principais preocupações do setor produtivo, especialmente durante o período de colheita da primeira safra e preparação do plantio da segunda safra.
Produtores rurais relatam aumento de até R$ 1 no preço do combustível em alguns postos. Na avaliação da CNA, elevar a mistura para 17% poderia ajudar distribuidoras e postos a evitar repasses mais expressivos aos consumidores, além de reduzir riscos de aumentos abusivos.
Produção e matéria-prima
Do lado da produção, a entidade avalia que o Brasil tem condições de ampliar rapidamente o uso de biodiesel. Isso porque a safra de soja — principal matéria-prima utilizada na fabricação do biocombustível — está em andamento e deve registrar produção recorde neste ano.
Com maior disponibilidade do insumo e preços da soja mais baixos em relação aos níveis observados durante a pandemia de COVID-19, a CNA acredita que o biodiesel pode se manter competitivo no mercado.
A confederação também lembrou que a mistura de 16% de biodiesel (B16) estava prevista para entrar em vigor em 1º de março, conforme o cronograma da política nacional de biocombustíveis, mas ainda não foi implementada.
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