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Quem pode liderar o Irã após a morte de Khamenei: herdeiro da antiga monarquia propõe comandar transição

  • há 7 dias
  • 3 min de leitura
Reprodução
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Em contexto de grande instabilidade política e institucional no Irã, após a morte de Ali Khamenei na madrugada de sábado, 28 de fevereiro de 2026, surgiram debates sobre quem pode assumir a liderança do país e conduzir um possível processo de transição de poder. Uma das figuras mencionadas nesse cenário é Reza Pahlavi, considerado herdeiro da antiga monarquia iraniana deposta em 1979, que se ofereceu para liderar uma transição caso a atual estrutura de governo seja derrubada ou fragilizada.

Reza Pahlavi, nascido em 31 de outubro de 1960 em Teerã, é o filho mais velho de Mohammad Reza Pahlavi, último xá (rei) do Irã antes da revolução que aboliu a monarquia e instaurou a República Islâmica. Após a revolução, Pahlavi vive no exterior e se apresenta como príncipe herdeiro do Irã e uma das principais figuras opositoras ao governo dos aiatolás, mantendo contato com grupos dissidentes e defendendo mudanças no sistema político do país.

Em vídeos e declarações divulgados durante o agravamento da crise política e os protestos internos no Irã ao longo de 2025 e início de 2026, Pahlavi afirmou estar disposto a liderar o país em uma transição política, especialmente se manifestações populares conseguirem derrubar o regime estabelecido pelos aiatolás após a Revolução Islâmica. As propostas e planos defendidos pelo herdeiro da antiga monarquia incluem a realização de um referendo para decidir a forma de governo futura, e ele externou apoio à ideia de uma transição democrática e secular, distinta da estrutura religiosa dominante atualmente.

Contudo, a proposta de Pahlavi enfrenta limitações significativas no contexto interno do Irã. A oposição ao regime dos aiatolás é marcada por fragmentação entre diversos grupos, e não há consenso claro dentro do país sobre a volta da monarquia ou sobre a liderança de Reza Pahlavi especificamente. Além disso, apoiar a monarquia deposta é considerado crime no Irã, o que torna difícil medir com precisão o nível de apoio popular real à sua proposta dentro do território iraniano.

A derrota da monarquia no Irã ocorreu em 1979, quando uma revolução liderada por religiosos e grupos populares derrubou o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi, substituindo-o por uma república teocrática sob a liderança de aiatolás como Ruhollah Khomeini e, posteriormente, Ali Khamenei. Passadas décadas, muitos iranianos nasceram e cresceram no sistema instaurado pela revolução, o que reduz o poder real de regiões monarquistas em restaurar a dinastia.

Paralelamente às declarações de apoio à transição de poder por parte de Pahlavi, o Irã já iniciou formalmente o processo constitucional de sucessão após a morte de Khamenei, com a formação de um Conselho de Liderança Interina, composto pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do Poder Judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei e pelo clérigo Alireza Arafi — este último jurista indicado para integrar o conselho até que a Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela escolha do próximo líder supremo, eleja um sucessor permanente.

Analistas políticos e observadores internacionais avaliam que, apesar da presença de vozes como a de Reza Pahlavi propondo alternativas e mudanças no futuro do Irã, o sistema político interno, as instituições religiosas dominantes, a Guarda Revolucionária e os mecanismos constitucionais da República Islâmica continuam profundamente enraizados no país. Isso cria incerteza significativa sobre a possibilidade de uma transição de poder liderada por um herdeiro da monarquia ou outras figuras externas ao poder clerical estabelecido.

Em suma, embora Reza Pahlavi tenha se colocado publicamente como uma figura que se dispõe a conduzir uma transição de governo, seu papel permanece essencialmente simbólico ou teórico sob o quadro atual, dado que a sucessão formal segue os mecanismos previstos na constituição do Irã e depende de decisões de órgãos internos, como a Assembleia de Especialistas, cuja escolha do líder supremo ainda está em curso e pode levar semanas ou meses para ser concluída.

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Gazeta de Varginha

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