Relatório aponta 2 milhões de contas ligadas à lavagem de dinheiro em 2024; Brasil discute medidas
18 de fev. de 2025
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Um relatório divulgado nesta segunda-feira (17) pela empresa de segurança financeira BioCatch revelou que, em 2024, foram identificadas quase 2 milhões de contas vinculadas à lavagem de dinheiro em instituições financeiras ao redor do mundo. Os dados foram coletados a partir de 257 instituições de 21 países, distribuídos por cinco continentes, que utilizam as ferramentas de monitoramento da empresa.
"As 2 milhões de contas laranjas relatadas por nossos clientes em 2024 provavelmente representam apenas uma pequena fração das que realmente operam para a lavagem de dinheiro", afirmou Tom Peacock, diretor de Inteligência Global de Fraudes da BioCatch. Segundo ele, muitas outras contas ilícitas podem estar em circulação entre as 44 mil instituições financeiras existentes no mundo no ano passado.
O relatório, intitulado "Redes globais de laranjas: Usando inteligência comportamental e de dispositivos para desvendar a lavagem de dinheiro", analisa como redes criminosas utilizam contas ilegais para movimentar recursos ilícitos. O documento também detalha os diferentes perfis de "laranjas" e suas funções dentro de esquemas financeiros sofisticados.
Brasil avalia novas estratégias
No Brasil, o estudo aponta que há um debate sobre a possibilidade de compartilhamento de dados entre bancos como forma de combater o uso de contas laranjas. A medida poderia reforçar a identificação e o controle dessas contas nos próximos anos.
Cassiano Cavalcanti, diretor de Pré-Vendas LATAM da BioCatch, alertou para a falta de penalizações no Brasil, o que torna financeiramente vantajoso o uso de contas laranjas. “Isso não apenas favorece a fraude, mas também abre portas para crimes mais graves, como tráfico de drogas e sequestros, que dependem das mesmas redes de contas laranjas”, afirmou.
Para Cavalcanti, é essencial a implementação de medidas punitivas contra essas práticas. Ele cita como exemplo países onde metade das perdas causadas por fraudes é arcada pela instituição que recebeu os valores, estratégia que poderia reforçar a segurança do sistema financeiro brasileiro.
O relatório também destaca que, segundo o Relatório Global de Crimes Financeiros 2024 da NASDAQ, cerca de US$ 3,1 trilhões em dinheiro ilícito circularam pelo sistema financeiro global no último ano.
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