Resíduo radioativo impede avanço no desmonte da primeira mina de urânio do país em Caldas
gazetadevarginhasi
24 de nov.
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fonte: g1
Fechada há três décadas, a primeira mina de urânio em operação no Brasil ainda depende de uma solução para resíduos radioativos acumulados antes que seu descomissionamento seja concluído. A unidade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caldas (MG), desativada desde 1995, enfrenta um impasse envolvendo milhares de toneladas de materiais que permanecem armazenados em galpões e no subsolo.
Nos anos 1980, a instalação produziu cerca de 1,5 mil toneladas de concentrado de urânio, que abasteceram a usina de Angra I e contribuíram para o avanço do programa nuclear nacional. Embora o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tenha concedido, em janeiro deste ano, a primeira licença ambiental para o início do descomissionamento, o processo depende da destinação da Torta II — um resíduo radioativo com 11.334 toneladas, enviado ao município nos anos 1990.
Esse material é resultado do tratamento químico da monazita para retirada de terras raras, realizado pela antiga Nuclemon, em São Paulo, entre as décadas de 1950 e 1980. Segundo o tecnologista Alexandre Oliveira, da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), a Torta II contém 50% de tório e cerca de 1% de urânio, o que permitiria aproveitamento industrial “caso haja interesse do governo brasileiro”.
A INB afirma que avalia alternativas para o destino do resíduo, como venda ou encaminhamento para unidades devidamente licenciadas. Especialistas lembram que rejeitos gerados por atividades nucleares são desafios comuns em diversos países e costumam exigir soluções complexas e de longo prazo.
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