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25 anos após o 11 de Setembro, mortes por doenças ligadas à poeira tóxica do Ground Zero já superam vítimas do dia dos ataques

11 de set.
2 min de leitura

Reprodução
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Vinte e cinco anos após os ataques às Torres Gêmeas, o número de pessoas que morreram em decorrência de doenças provocadas pela exposição à poeira tóxica do local já ultrapassou, com folga, o saldo de quase 3 mil vítimas fatais do próprio dia dos atentados. Estima-se que cerca de 400 mil pessoas tenham sido expostas a substâncias perigosas liberadas pela destruição dos prédios — entre socorristas, moradores, trabalhadores e transeuntes da região.

O tenente e paramédico do Corpo de Bombeiros de Nova York, Conrad Matos, é um exemplo desse legado. Trabalhou por seis meses nos escombros, sem equipamentos de proteção adequados, e em 2021 foi diagnosticado com câncer associado à exposição. "Entramos lá sem máscaras, sem nada. Eles diziam que o ar era seguro", recorda. A doença obrigou-o a se aposentar, foi tratada e retornou neste ano. "Aqueles que não perdemos naquele dia, estamos perdendo agora. E isso não está certo", afirma.

Na época, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), sob influência da Casa Branca, declarou que o ar era seguro, sem dispor de dados completos sobre as toxinas liberadas. A poeira continha materiais em combustão e resíduos nocivos; os filtros dos equipamentos ficavam entupidos em minutos e muitos trabalhadores simplesmente pararam de usá-los por dedicação aos resgates. Somente agora, em 2026, a cidade de Nova York lançou um portal com registros inéditos sobre a qualidade do ar, em vitória para ativistas que lutavam por transparência.

Cerca de 150 mil pessoas estão hoje acompanhadas pelo Programa de Saúde do World Trade Center, recebendo diagnóstico e tratamento para cânceres, problemas respiratórios e outras enfermidades. Mais de 9 mil já morreram enquanto inscritas no programa. Especialistas observam que tratamentos e acompanhamentos têm melhorado a expectativa de vida, mas o impacto ultrapassa os doentes: familiares, cuidadores e gerações seguintes também carregam o peso emocional e os efeitos indiretos da tragédia.

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