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Assembleia Geral da ONU reúne líderes mundiais em Nova York para discutir guerras, IA e diplomacia

há 43 minutos
3 min de leitura


A 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas reúne, a partir desta terça-feira (22), líderes de países de todo o mundo em Nova York, nos Estados Unidos. Considerado o principal encontro diplomático anual, o evento concentra discursos de chefes de Estado e de governo e uma série de reuniões bilaterais e negociações sobre conflitos e temas de interesse internacional.

O Debate Geral ocorre de 22 a 26 de setembro e também em 28 de setembro. A programação reúne representantes dos 193 Estados-membros da ONU e tem como tema oficial “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

A tradição determina que o Brasil seja o primeiro país-membro a discursar na abertura do Debate Geral. A prática existe desde 1955. Neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre a sequência de discursos, seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, país que também sedia a organização em Nova York.

Cada Estado-membro é orientado a limitar seu discurso a 15 minutos, embora o tempo nem sempre seja respeitado. As falas contam com tradução simultânea para as seis línguas oficiais das Nações Unidas: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

Guerras e conflitos no centro dos debates

Entre os principais assuntos esperados para esta edição estão os conflitos no Oriente Médio, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões entre Israel e os palestinos. A guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã também aparece entre os temas de maior atenção durante a semana diplomática.

Discursos de importantes autoridades devem colocar diferentes posições sobre esses conflitos em evidência. Entre os nomes previstos estão o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, também está entre os representantes esperados.

A situação na Faixa de Gaza deve ser outro dos assuntos centrais. O tema vem sendo discutido em diferentes fóruns internacionais e deve aparecer nos pronunciamentos e reuniões realizadas paralelamente ao Debate Geral.

Lula e Trump

A presença simultânea de Lula e Trump também coloca os dois presidentes no centro da atenção durante a abertura. O brasileiro tradicionalmente inicia os discursos, enquanto o presidente americano fala logo depois.

Apesar de os dois estarem na sede das Nações Unidas no mesmo dia, não havia uma reunião bilateral oficialmente marcada entre eles antes do início do evento. A programação da Assembleia, porém, reúne diversas autoridades em um mesmo espaço e pode proporcionar contatos entre os líderes.

Lula já havia cumprido uma série de compromissos diplomáticos em Nova York antes da abertura da Assembleia. O presidente brasileiro tem utilizado a viagem para encontros com outras autoridades e para tratar de temas da agenda internacional e das relações do Brasil com outros países.

Inteligência artificial entra na agenda

A inteligência artificial também ganhou espaço entre os temas da Assembleia deste ano. A discussão ocorre em um momento de rápida expansão da tecnologia e de debates internacionais sobre seus possíveis riscos, regras e necessidade de coordenação entre governos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, defende maior cooperação internacional para lidar com o desenvolvimento da inteligência artificial. A tecnologia deve ser discutida tanto nos discursos oficiais quanto em reuniões realizadas paralelamente ao encontro dos chefes de Estado.

Além da IA, a programação inclui questões relacionadas às mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e transição energética. Na quarta-feira (23), está prevista uma reunião de alto nível sobre ação climática e transição justa, com participação de líderes de diferentes países.

Última Assembleia de Guterres

A edição de 2026 também marca a última participação de António Guterres como secretário-geral da ONU na Assembleia Geral. Seu mandato termina em dezembro deste ano, o que acrescenta uma dimensão de transição à reunião de líderes.

Além dos debates políticos, a Assembleia Geral exerce funções institucionais importantes dentro das Nações Unidas. O órgão é responsável, entre outras atribuições, por aprovar o orçamento da organização, eleger membros não permanentes do Conselho de Segurança e nomear o secretário-geral a partir de uma recomendação do Conselho de Segurança.

As resoluções aprovadas pela Assembleia Geral, em suas reuniões regulares, têm peso político, mas não são juridicamente vinculantes como as decisões obrigatórias do Conselho de Segurança em determinadas situações.

Ao longo da semana, além dos discursos no plenário, a programação deve incluir encontros bilaterais, reuniões de alto nível e discussões sobre conflitos, clima, desenvolvimento, tecnologia e o futuro da própria Organização das Nações Unidas.

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