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Azeite da Serra da Mantiqueira é eleito o melhor do Brasil e fica entre os 20 melhores do mundo

há 11 horas
4 min de leitura
Produzido entre Cruzília e Aiuruoca, Azeite Carcará conquistou 98 pontos no OLIVINUS 2026, na Argentina; produto também foi reconhecido como o melhor da América do Sul em concurso realizado na Itália

A produção de azeite da Serra da Mantiqueira mineira alcançou mais um importante reconhecimento internacional. O Azeite Carcará Blend, produzido na Fazenda Cruzziléia, entre os municípios de Cruzília e Aiuruoca, foi eleito o melhor azeite do Brasil no Concurso OLIVINUS 2026, realizado em Mendoza, na Argentina.
O produto conquistou 98 pontos em 100 e recebeu a distinção Gran Prestígio Oro, ficando também entre os 20 melhores azeites do mundo na competição. O resultado foi anunciado no dia 23 de setembro.
Em sua primeira safra comercial, o Carcará já acumula uma sequência de reconhecimentos internacionais. Antes da premiação na Argentina, o azeite havia conquistado, na Itália, o título de melhor azeite da América do Sul no EVO IOOC 2026, além de medalha de ouro e uma vaga entre os finalistas da categoria de melhor blend do Hemisfério Sul. Na Turquia, também recebeu medalha de ouro no Anatolian International Olive Oil Competition.
Para Thaís Junqueira Maciel Campomizzi, produtora rural e sócia proprietária do Azeite Carcará, a sequência de premiações representa o resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de anos.
“O que sentimos é um misto de surpresa e realização por estarmos recebendo uma sequência tão significativa de reconhecimentos pela nossa qualidade. Isso é o que nos faz ter certeza de que a dedicação e o empenho de toda nossa equipe fazem diferença em cada detalhe, em cada resultado”, afirma.
Reconhecimento internacional
Realizado em sua 20ª edição, o OLIVINUS reuniu neste ano 525 rótulos de 217 marcas, provenientes de 21 países. A avaliação foi realizada às cegas por um grupo de 35 especialistas de diferentes nacionalidades.
O resultado coloca a produção da Mantiqueira mineira em evidência em um mercado cada vez mais competitivo e reforça o crescimento da olivicultura na região.
Em junho, o Carcará já havia sido destaque na EVO IOOC 2026, na Itália. O produto recebeu o Special Award Raùl C. Castellani – Best of South America, concedido ao melhor azeite extravirgem sul-americano entre monova rietais, blends e orgânicos.
Na mesma competição, o produto recebeu medalha de ouro e avançou para a etapa final entre os melhores blends do Hemisfério Sul.
A competição italiana contou com 786 amostras de 32 países, avaliadas por 32 jurados internacionais em degustação às cegas.
Pouco antes, em abril, o Azeite Carcará também havia conquistado medalha de ouro no Anatolian International Olive Oil Competition, realizado na Turquia, que reuniu 521 azeites de mais de 25 países.

Produção nas montanhas de Minas
Os olivais do Carcará estão localizados a aproximadamente 1.200 metros de altitude, na Fazenda Cruzziléia, em uma área situada entre Cruzília e Aiuruoca. O engenheiro agrônomo Hiran Villas Boas, responsável pela assistência técnica e pelo manejo dos olivais, explica que as características naturais da região contribuíram para o desenvolvimento das plantas. Segundo ele, o acúmulo das horas de frio necessárias ao ciclo das oliveiras, associado às características do solo, que apresenta presença de cascalho e boa drenagem, favoreceu a produção da safra de 2026. Algumas oliveiras chegaram a produzir aproximadamente 40 quilos de frutos, quantidade considerada expressiva para uma cultura ainda relativamente recente no Brasil. Em média, são necessários cerca de 10 quilos de azeitonas para a produção de um litro de azeite. O blend premiado é elaborado com quatro variedades cultivadas na propriedade: Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo.

Da primeira experiência aos prêmios internacionais
A história do Carcará começou em 2017, quando foi plantado o primeiro pomar da propriedade. O projeto nasceu como uma iniciativa familiar e foi sendo ampliado ao longo dos anos.
A aproximação com a cultura da oliveira ganhou força durante o período em que Thaís e o marido, Jacson Campomizzi, viveram na Andaluzia, na Espanha, região tradicional na produção de azeites.
De volta ao Brasil, o casal identificou na Serra da Mantiqueira condições consideradas favoráveis ao cultivo.
As primeiras mudas foram adquiridas em Maria da Fé (MG), município reconhecido pelo desenvolvimento de pesquisas relacionadas à olivicultura. Atualmente, os olivais da Fazenda Cruzziléia somam aproximadamente 1.500 oliveiras.
Na primeira colheita experimental, realizada em 2024, foram produzidos apenas 20 litros de azeite. Dois anos depois, cerca de 500 árvores entraram em produção, resultando em aproximadamente 900 litros de azeite extravirgem na primeira safra comercial.
“Consideramos os resultados ainda mais expressivos por este ano marcar nossa primeira safra comercial, resultado de um trabalho de fato artesanal e de uma colheita muito bem sincronizada com a produção, que levou mais de 30 dias”, destaca Thaís.
Colheita e extração no mesmo dia
Um dos cuidados apontados pela equipe como diferencial está no intervalo entre a colheita e a extração. Após a retirada manual das azeitonas, os frutos são transportados da fazenda até o lagar Olivas MG, em Aiuruoca, onde ocorre a extração do azeite no mesmo dia da colheita. De acordo com o engenheiro agrônomo responsável, o procedimento contribui para preservar o frescor e as características sensoriais do produto.
O processo artesanal também está presente na etapa final: as garrafas são rotuladas manualmente pela própria família dos produtores.
O resultado é um azeite de perfil sensorial descrito como herbáceo e de alta complexidade, com notas de amêndoa verde, abacate verde e folha de tomate, além de amargor e picância equilibrados.

Mantiqueira ganha espaço na produção de azeites
Para Thaís, as premiações internacionais ultrapassam o reconhecimento individual da marca e ajudam a evidenciar o potencial da região.
“As premiações, assim como a grande aceitação por parte do público que tem consumido nosso azeite, confirmam o potencial da Serra da Mantiqueira para a produção de azeites de excelência e reforçam o crescimento da olivicultura mineira, que vem conquistando espaço entre os principais produtores do mundo.”
A trajetória do Azeite Carcará acompanha, assim, o crescimento de uma atividade que vem ganhando espaço na economia rural e na gastronomia da Mantiqueira. O reconhecimento obtido em concursos internacionais coloca a produção de municípios do Sul de Minas no radar de consumidores e especialistas de diferentes países.

Premiações do Azeite Carcará
  • Medalha de Ouro – Anatolian International Olive Oil Competition 2026 – Turquia;
  • Medalha de Ouro – EVO IOOC 2026 – Itália;
  • Best of South America – Special Award Raùl C. Castellani – EVO IOOC 2026 – Itália;
  • Finalista de Melhor Blend do Hemisfério Sul – EVO IOOC 2026 – Itália;
Melhor azeite do Brasil e entre os 20 melhores do mundo – OLIVINUS 2026 – Argentina, com 98 pontos.

Fonte/fotos: Mariana Celle

Produção: Gazeta de Varginha



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