Brasil confirmou 547 casos de doença de Creutzfeldt-Jakob em 17 anos; São Paulo concentra 37%
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O Brasil confirmou 547 casos da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) entre 2005 e 2021, segundo dados do Ministério da Saúde. No mesmo período, foram registradas 1.576 notificações de casos suspeitos da enfermidade, que passou a integrar a Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória em 2005.
Os números ganharam repercussão após a morte do influenciador Lito Sousa, criador do canal “Aviões e Músicas”, aos 59 anos. Ele morreu na quinta-feira (1º), depois de receber o diagnóstico da doença em agosto. Segundo informações divulgadas pela família, o quadro apresentou evolução rápida, com perda progressiva da capacidade motora.
São Paulo concentra maior número de casos
Entre os 547 diagnósticos confirmados no período analisado pelo Ministério da Saúde, 202 ocorreram em São Paulo, o equivalente a aproximadamente 37% do total nacional. Minas Gerais aparece na sequência, com 57 confirmações, seguido pelo Paraná, com 44; Rio de Janeiro, com 38; e Rio Grande do Sul, com 35.
Considerando as notificações suspeitas, São Paulo também liderou o levantamento, com 512 registros, correspondentes a 32,5% das 1.576 notificações feitas no país. Paraná teve 189 notificações e Minas Gerais, 158. As regiões Sul, Sudeste e Nordeste concentraram a maior parte dos registros.
Os dados, porém, correspondem ao período de 2005 a 2021 e não representam necessariamente todos os casos ocorridos no país desde então. O levantamento reúne os primeiros 17 anos de notificações da doença no Brasil.
Doença é rara e apresenta evolução rápida
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade priônica, neurodegenerativa, progressiva e fatal. Ela provoca alterações no cérebro e pode causar perda de memória, demência, tremores, falta de coordenação motora, alterações da fala, problemas de visão e mudanças de comportamento. A piora neurológica costuma ocorrer de maneira acelerada.
Entre as notificações analisadas pelo Ministério da Saúde, a faixa etária de 55 a 74 anos concentrou 60,2% dos registros, e a idade média dos pacientes com suspeita da doença foi de 66 anos.
A forma esporádica é a mais comum e não possui uma causa conhecida. Segundo o Ministério da Saúde, ela responde mundialmente por aproximadamente 85% dos casos confirmados. Existem ainda formas hereditárias e iatrogênicas, esta última relacionada a situações extremamente raras de exposição a proteínas priônicas anormais durante determinados procedimentos médicos.
Não há cura conhecida
Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a evolução da doença. O Ministério da Saúde informa que aproximadamente 90% das pessoas acometidas evoluem para óbito em até um ano, sendo recomendado tratamento de suporte e controle das complicações provocadas pela enfermidade.
A DCJ também não é transmitida pelo contato social cotidiano. De acordo com o Ministério da Saúde, não há evidências de transmissão pelo ar ou por contatos casuais, como abraços, beijos, compartilhamento de copos e utensílios ou convivência habitual com uma pessoa diagnosticada.
Morte de Lito Sousa chamou atenção para a doença
A morte de Lito Sousa voltou a chamar atenção para a enfermidade. O influenciador era conhecido pelo trabalho relacionado à aviação e pelo canal “Aviões e Músicas”, no qual abordava temas como aeronaves, manutenção, segurança de voo e acidentes aéreos.
O diagnóstico havia sido divulgado pela esposa do influenciador em agosto. Nas semanas seguintes, Lito apresentou rápida progressão dos sintomas e chegou a receber, em setembro, autorização excepcional para importar uma substância experimental, utilizada no tratamento no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O medicamento ainda estava em desenvolvimento e não tinha eficácia comprovada contra a doença em seres humanos.
A doença de Creutzfeldt-Jakob permanece sendo uma condição rara, de diagnóstico complexo e evolução rápida, sem terapia comprovadamente capaz de modificar seu curso.
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