Brasil e Paraguai realizam operações simultâneas para combater crimes na fronteira
8 de ago.
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Divulgação/Operações ocorrem simultaneamente nos territórios brasileiro e paraguaio, com compartilhamento de informações entre as forças de segurança.
Brasil e Paraguai passaram a adotar uma estratégia conjunta para evitar que ações de segurança realizadas em apenas um dos lados da fronteira acabem deslocando as atividades criminosas para o território vizinho. O modelo, chamado de operações espelhadas, prevê ações simultâneas, cada uma dentro do território nacional, com compartilhamento de informações entre os dois países.
No lado brasileiro, a iniciativa é realizada por meio da Operação Conjunta Ágata Oeste. No Paraguai, a operação correspondente é denominada Basalto. As duas ações possuem comandos e tropas próprios, mas trabalham com informações compartilhadas durante as operações.
A estratégia busca aumentar a pressão sobre rotas utilizadas por organizações criminosas e reduzir a possibilidade de que grupos simplesmente atravessem a fronteira para escapar das fiscalizações.
Como funcionam as operações
Nas operações espelhadas, militares brasileiros e paraguaios não atravessam a fronteira para atuar no território do outro país. Cada força trabalha dentro dos próprios limites territoriais.
A integração ocorre principalmente por meio da troca de informações e inteligência, permitindo que as equipes dos dois lados tenham conhecimento das movimentações identificadas durante as ações.
No Brasil, a Ágata Oeste envolve as Forças Armadas e órgãos de segurança em ações de fiscalização e monitoramento da faixa de fronteira. No Paraguai, a Basalto reúne o Exército e outras forças de segurança.
Números da operação de 2024
Uma das edições documentadas em detalhes teve início em 1º de setembro de 2024.
Do lado brasileiro, a Ágata Oeste empregou mais de 1,7 mil militares e contou com 12 aeronaves, 16 embarcações e 217 viaturas, atuando ao longo de aproximadamente 2.532 quilômetros da faixa de fronteira oeste.
A operação brasileira também contou com recursos de monitoramento por satélite e aeronave remotamente pilotada.
No Paraguai, a Operação Basalto mobilizou cerca de 1,9 mil militares do Exército.
A fronteira seca entre Brasil e Paraguai, formada pelos trechos em que não há rios separando os dois países, possui mais de 460 quilômetros.
Combate ao cultivo de maconha
As ações realizadas no território paraguaio também atingiram áreas utilizadas para o cultivo de maconha.
Segundo os dados apresentados sobre as edições Basalto I e II, foram destruídos 367 hectares de plantações de maconha, estimados em aproximadamente 1.131 toneladas, além da apreensão de cerca de 412 toneladas da droga já colhida.
Os números ajudam a dimensionar a presença de áreas de produção de entorpecentes próximas às rotas utilizadas para o transporte da droga em direção ao Brasil.
Integração entre os países
Para as forças envolvidas, o compartilhamento de informações é um dos principais ganhos do modelo.
O major-brigadeiro do ar Luiz Cláudio Macedo, comandante do Comando Conjunto da Operação Ágata Fronteira, destacou a importância da troca de informações durante as ações.
Do lado paraguaio, o general de brigada Acuña, do Exército do Paraguai, classificou as operações espelhadas como missões realizadas de forma pontual.
O modelo também passou a integrar iniciativas mais amplas de cooperação entre países sul-americanos no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas.
Em 2026, operações realizadas no arco sul da fronteira brasileira reúnem militares das três Forças Armadas, além de integrantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias militares de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com ações nas divisas com Paraguai, Argentina e Uruguai.
Apesar das operações, a estrutura permanente de monitoramento de fronteiras ainda está em implantação. O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) possui nove fases previstas, das quais duas foram implantadas, com previsão de conclusão do projeto completo em 2039.
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