Bukele envia forças especiais ao Haiti após sequestro de soldados; presidente ameaça gangues: "podemos acabar com vocês também"
há 16 minutos
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O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, enviou um contingente das forças especiais do país para a região de Porto Príncipe, no Haiti, após o sequestro de quatro soldados salvadorenhos por grupos criminosos. Os militares desapareceram no último domingo (18), quando retornavam à base vindos de um mercado; seu veículo blindado foi emboscado por membros de gangues. Bukele esclareceu que os quatro são técnicos de aviação, cuja função principal era realizar evacuações médicas e salvar vidas — não combater — e exigiu a libertação imediata e ilesa dos reféns.
Em comunicado publicado no X, o presidente dirigiu mensagem direta aos chefes das organizações criminosas: "O ataque de hoje não é nada comparado ao que está por vir se não resgatarmos os quatro reféns com vida". Lembrou que seu governo já desarticulou gangues em El Salvador, com prisão de dezenas de milhares de pessoas e construção de presídio de máxima segurança, e avisou: "Já acabamos com as gangues em El Salvador e podemos acabar com vocês também". Apelou ainda para que devolvam os militares sem ferimentos: "A decisão está nas suas mãos".
A Força de Repressão a Gangues (GFS), missão internacional que atua no Haiti, confirmou a chegada das tropas salvadorenhas e informou que trabalha em estreita coordenação com a Polícia Nacional Haitiana. O reforço chega em momento crítico: a GFS deveria contar com 5.500 agentes, mas atualmente tem apenas cerca de 2 mil, enviados por seis países. A força local está sobrecarregada diante da escalada de violência, com assassinatos, sequestros, estupros e recrutamento forçado de crianças praticados em larga escala.
O Haiti atravessa grave crise política e institucional. As eleições marcadas para dezembro foram adiadas indefinidamente; o país não vota desde 2016 e segue sem presidente desde o assassinato de Jovenel Moïse, em 2021. A combinação de vácuo de poder, pobreza extrema e domínio territorial de grupos armados transformou a capital e regiões vizinhas em cenário de caos. A resposta firme de Bukele insere um novo elemento no conflito, com possibilidade de ação direta de forças estrangeiras contra gangues que controlam amplas áreas do país.
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