China e EUA concordam em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias
há 5 horas
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China e Estados Unidos concordaram em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias comercializadas entre os dois países. O entendimento envolve uma lista de aproximadamente US$ 30 bilhões em produtos de cada lado, que poderão receber tratamento tarifário mais favorável.
O acordo alcança uma variedade de produtos, incluindo itens agrícolas norte-americanos, como milho, trigo, sorgo, carnes, laticínios, óleos vegetais e farinhas, além de peixes e frutos do mar, produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos. A lista chinesa, porém, não inclui a soja.
Do lado dos Estados Unidos, estão previstos cortes tarifários sobre produtos chineses como pequenos eletrodomésticos, entre eles cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores, roupas de cama, brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes para árvores de Natal, outras decorações festivas e cadeirinhas infantis para carros.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a medida poderá ampliar o acesso de produtos norte-americanos ao mercado chinês. Segundo ele, o acordo representa uma abertura para aproximadamente 30% das exportações dos Estados Unidos para a China.
Apesar do anúncio, as tarifas ainda não foram alteradas imediatamente. As reduções deverão ser implementadas depois que cada país concluir seus respectivos procedimentos legais internos. Segundo o Ministério do Comércio da China, cerca de 90% dos produtos abrangidos deverão ter suas tarifas reduzidas para as chamadas taxas de nação mais favorecida.
O entendimento faz parte dos resultados das negociações comerciais entre os dois países e ocorre após uma nova reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizada em Washington na semana anterior. A redução recíproca das tarifas foi acompanhada pela decisão de prolongar a trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Trégua comercial
O Ministério do Comércio da China informou que a trégua comercial será prorrogada por dois meses, até 10 de janeiro. Segundo a pasta, o período permitirá que os dois países avaliem os acordos em andamento e continuem discutindo questões econômicas e comerciais.
China e Estados Unidos também deverão manter conversas regulares sobre oportunidades e barreiras de investimento. O governo chinês afirmou que a extensão da trégua cria um ambiente mais estável e previsível para a cooperação entre empresas e para a continuidade das negociações.
Agricultura e carvão
A escolha dos produtos incluídos na redução tarifária está relacionada também ao compromisso de compras agrícolas que, segundo a Casa Branca, envolve US$ 17 bilhões. A China já retomou compras de soja dos Estados Unidos dentro de um acordo anterior que prevê a aquisição de 25 milhões de toneladas métricas por ano.
Os dois países também concordaram em criar um grupo de trabalho sobre agricultura, que deverá realizar sua primeira reunião antes do fim do ano. O objetivo será discutir acesso aos mercados e questões regulatórias.
Outro ponto do entendimento envolve o carvão. A China deverá importar 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos por ano em 2027 e 2028, de acordo com informações divulgadas pela Casa Branca. O volume representa aproximadamente 2% das importações anuais de carvão chinesas.
Petróleo e gás natural liquefeito não foram incluídos na lista de produtos contemplados pelas reduções tarifárias.
Outros setores
As negociações também produziram entendimentos em outras áreas. China e Estados Unidos concordaram em estabelecer um canal de comunicação para lidar com incidentes relacionados à inteligência artificial, além de realizar um novo diálogo sobre o tema até o fim de novembro.
Pequim também deverá analisar e aprovar instituições estrangeiras de serviços financeiros, incluindo empresas com capital norte-americano, para que possam operar e abrir filiais na China.
Os dois governos ainda manterão comunicação sobre a possibilidade de ampliar o número de voos diretos entre China e Estados Unidos, como parte dos entendimentos alcançados nas negociações comerciais.
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