Coluna Agenda 21 - 09/10/2026
há 13 minutos
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OS IMPACTOS DA ESCALA 6X1 NA CONSTRUÇÃO CIVIL
A discussão sobre a escala 6x1, caracterizada por seis dias de trabalho e um dia de repouso, ultrapassou o ambiente das relações trabalhistas e passou a exigir atenção também dos setores produtivos. Na Construção Civil, eventual alteração da jornada de trabalho poderá produzir reflexos diretamente relacionados ao planejamento, à produtividade, aos custos, ao dimensionamento das equipes e ao cumprimento dos cronogramas das obras.
Atualmente, a Constituição Federal estabelece jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais, além do repouso semanal remunerado. Em 2026, a PEC 221/2019 avançou no Congresso: a Câmara aprovou texto que prevê jornada máxima de 40 horas semanais, distribuída em cinco dias, com dois dias de descanso. Em setembro, a matéria foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e encontra-se em tramitação no Plenário daquela Casa.
Para a Engenharia, entretanto, a questão central não está apenas na quantidade de horas trabalhadas. É necessário avaliar quantas horas efetivamente produtivas permanecem disponíveis, como as equipes serão dimensionadas e quais serão os efeitos sobre o processo construtivo.
Uma obra é constituída por uma sequência de atividades interdependentes. Fundação, estrutura, alvenaria, instalações, revestimentos, esquadrias, cobertura e acabamentos dependem de planejamento e da disponibilidade de equipes em momentos específicos.
Em uma obra organizada em escala 6x1, uma equipe que trabalha seis dias por semana dispõe, em uma jornada de 44 horas, de determinada quantidade de horas semanais para execução dos serviços. Se essa disponibilidade for reduzida, será necessário avaliar se o cronograma poderá ser mantido com a mesma composição de equipe.
O custo de uma obra é formado por materiais, equipamentos, mão de obra, encargos, administração, perdas, tributos e demais componentes. A mão de obra, por sua vez, está diretamente relacionada à quantidade de horas necessárias para executar cada serviço.
Se a redução da jornada exigir a ampliação do número de trabalhadores para manter determinada produção semanal, poderá haver repercussão no custo direto da obra. Entretanto, esse impacto não deve ser calculado simplesmente pela divisão do número de horas disponíveis.
A industrialização da construção, a pré-fabricação, a compatibilização de projetos, o planejamento digital, a mecanização e a melhoria da logística dos canteiros podem contribuir para reduzir perdas e aumentar a produtividade.
A Construção Civil sempre esteve associada à capacidade de transformar projetos em realidade. Agora, também precisa transformar dados em decisões.
Independentemente do modelo de jornada que venha a ser estabelecido pela legislação, a eficiência dos canteiros dependerá cada vez mais de planejamento, tecnologia, qualificação profissional e gestão.
A discussão sobre a escala 6x1, portanto, pode ser compreendida também como um convite à Engenharia para repensar a forma de organizar a produção. Mais importante do que simplesmente contar horas de trabalho é saber quanto se produz em cada hora disponível, com que qualidade, a que custo e sob quais condições de segurança.
Esse será um dos desafios para os profissionais responsáveis pela gestão das obras nos próximos anos.






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