Coluna Fatos e Versões com Rodrigo Silva Fernandes 06/10/2026
há 3 horas
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RODRIGO SILVA FERNANDES é advogado e articulista político da Gazeta escreve as quartas e sextas. Email:Rs.fernandes@fiemg.com.br
Resultado eleitoral
A campanha política foi intensa, entre os candidatos, mesmo que para a população desanimada e desiludida o eleitor tenha animado a votar apenas no último instante. Tivemos em torno de 33 milhões de pessoas que não votaram ou anularam o voto no Brasil, número é expressivo. A Coluna está levantando dados sobre os resultados eleitorais, mas dados que vão além de saber quem ganhou ou perdeu, mas sim o significado e efeito de cada resultado obtido. Faremos uma análise dos resultados em âmbito federal, estadual e seus reflexos no âmbito municipal. Vale dizer que a Coluna está cruzando dados como patrimônio dos candidatos (notícia que pode surpreender), bem como a lista de doadores dos candidatos e seus gastos de campanha. Não faltam notícias “curiosas” a respeito dos candidatos votados na cidade. Sem falar nas “promessas de voto” que naufragaram na cidade, depois que teve muita gente prometendo votos na casa do milhar e entregando na casa da centena e dezena. Ficou provado que o eleitor está saturado de política, mas consciente de que precisa fazer sua parte, pois se não escolher, mesmo que votando no “menos pior, terá um Brasil cada dia mais difícil de viver”! Os ausentes, “isentões” que não votaram, votam branco ou nulo, têm que engolir goela abaixo o resultado de quem não se omite ou troca o voto por um auxílio prometido”. No final, todos nós pagamos a conta, então no mínimo, que todos nós possamos participar de forma ativa na escolha das lideranças que vão comandar o Brasil.
Resultado eleitoral – 01 – Nacional
O resultado das urnas, no primeiro turno, fortaleceu a Direita com expressiva votação dos candidatos do PL, particularmente os ligados ao Bolsonarismo ganhando mandatos na Câmara e no Senado. O candidato a presidente Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, vai para o segundo turno com 47,2% dos votos, acima dos 44,8% de Lula. Além disso, os bolsonaristas elegeram Michele Bolsonaro, como senadora pelo Distrito Federal, Carlos Bolsonaro eleito senador por Santa Catarina e Jair Renan Bolsonaro eleito deputado federal também por Santa Catarina. Foram eleitos 10 governadores alinhados à direita no primeiro turno em todo o Brasil, sendo 5 do PL, 3 do Republicanos e 2 de outros partidos aliados, inclusive tendo os dois maiores colégios eleitorais — SP e MG — eleito governadores que vão agora apoiar Flávio Bolsonaro na disputa do 2º turno. Já na eleição do Senado, principal palco político de disputa da Direita (tendo em vista a força do Senado na cassação de ministros do STF) os resultados eleitorais foram significativos. Das 81 cadeiras do Senado, 54 foram alvo de disputa nesta eleição (o Senado renova parte das suas cadeiras a cada eleição, sendo um terço na eleição de 2022 e dois terços na eleição de 2026). Neste caso, o PL conquistou 19 das 54 cadeiras em disputa nesta eleição. Ao total, apenas o PL terá 28 senadores na Casa Alta a partir de 2027. Somado aos votos de senadores aliados, a direita terá cerca de 46 senadores que já se declaram a favor da cassação de ministros do Supremo; é bem possível que em 2027 a cassação seja pautada na Casa, o que será uma nova vitória para a direita política no país.
Resultado eleitoral – 02 – Nacional
Na disputa ao Governo nos Estados, a Direita conquistou os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima e Pará. E no segundo turno das eleições a direita ainda vai disputar em outros 6 Estados, tendo um deles onde os dois candidatos que disputam o segundo turno são de direita e apoiam a eleição de Bolsonaro. Mas não se enganem, pois a esquerda e Lula não perderam tudo! Na Bahia o PT fez chapa completa, com a reeleição do governador e eleição dos dois senadores, afora estados do Nordeste onde o PT e partidos aliados de esquerda ainda fizeram uma grande bancada estadual e federal; ainda assim, nomes conhecidos da esquerda não conseguiram reeleição! No plano nacional, a escolha de Minas Gerais reflete o favoritismo da Direita. Vejam que elegemos o candidato do Republicanos, Cleitinho, e seu vice Falcão ao Governo de Minas, depois da declaração de apoio de Cleitinho à candidatura de Flávio Bolsonaro. Cleitinho inclusive já foi a Brasília, juntamente com outros eleitos para declarar apoio a Flávio Bolsonaro. Contudo, na escolha para o Senado, Minas foi eclética e elegeu Domingos Sávio do PL e Marília Campos do PT. Além disso, na escolha da bancada federal, Minas elegeu 21 deputados federais do PL e 13 do PT, e quando computados os eleitos de outros partidos aliados os números sobem ainda mais.
Resultado eleitoral – 03 – Nacional/Estadual
O eleitor mineiro escolheu Cleitinho governador, do Republicanos, juntamente com Luís Eduardo Falcão como vice. Ambos do interior, Cleitinho foi vereador de Divinópolis e Falcão prefeito de Patos de Minas. Muito se especula sobre o papel de Falcão no novo governo, visto que é quem tem a experiência no Executivo. Além disso, muitos partidos e até prefeitos buscam aproximação direta com Cleitinho, tentando cortar a interlocução de pessoas como Marcelo Aro (candidato a senador que apoiou Cleitinho) e Euclides Petersen, presidente do Republicanos, que ainda não se sabe qual influência terão no novo governo. No caso de Varginha, o governo municipal de Ciacci não manifestou apoio a nenhum candidato a presidente! Afinal, Ciacci é do PSD, que em tese deveria ter apoiado Ronaldo Caiado para presidente, mas isso não ocorreu. Vale lembrar que Ciacci manifestou apoio ao governador Matheus Simões, do PSD, que também não apoiou o candidato a presidente de seu partido, mas sim o ex-governador Romeu Zema, que disputou a presidência pelo Partido Novo. Ainda assim, na última semana de campanha, depois de ter traído Caiado (PSD), apoiando Zema (Novo), Matheus Simões traiu Zema, declarando apoio a Flávio Bolsonaro no final da corrida do primeiro turno. Ciacci não declarou abertamente apoio a nenhum presidente, mas se acredita que deva fazê-lo neste segundo turno, apoiando Flávio. Quanto ao Senado, Ciacci manifestou apoio a Carlos Viana (PSD), que também perdeu, a exemplo de Caiado e Matheus Simões. Mas Ciacci não perdeu tudo: ganhou seu deputado federal, Diego Andrade, o que é muito significativo. Diego Andrade é o principal apoiador e articulador político em âmbito federal que Ciacci possui, embora tenha conexões com outros federais como Marcelo Álvaro Antônio, Dimas Fabiano e Greyce Elias.
Resultado eleitoral – 04 – Estadual
A nova configuração política desenhada nas urnas deixou o Governo Ciacci, e até boa parte da oposição, sem muitas conexões com os novos eleitos, tendo um ou outro com contato aqui ou ali. Mas nada que signifique um apoio consistente para o próximo governo. Vejam que Cleitinho esteve em Varginha, possui aliados na cidade como o vereador Daniel Farias, falou com um ou outro, mas o novo governo vai se cercar rápido de grandes caciques políticos para conseguir administrar o Estado sem maiores problemas. E quem são estes caciques: deputados, presidentes de partidos e financiadores. E neste ponto entram os compromissos assumidos pelas lideranças locais com os deputados aqui eleitos. Ou seja, os deputados eleitos vão defender e lutar pelos prefeitos e vereadores que “entregaram a votação prometida em seus respectivos redutos eleitorais”. E quem sabe quem prometeu quantos votos para quem? Bem, em Varginha teve quem prometera 10 mil votos e entregou cerca de 2.500, bem como quem prometeu 2 mil votos e entregou 200. Sem falar nos candidatos que perderam eleição por 200 votos, outros que gastaram pequenas fortunas em Varginha e tiveram uma merreca de votos! Daí vai depender do “grau de perdão e interesse que estes candidatos eleitos ou traídos terão das lideranças locais”. Sabe-se que Dimas Fabiano (PP/MG) está “de coração aberto e disposto a crescer sua base de apoio na cidade”; de igual modo, Diego Andrade “esperava mais votos em Varginha, e deve flexibilizar a admissão de novos aliados na cidade, com vista às eleições de 2028”.
Resultado eleitoral – 05 – Estadual/Municipal
Mas também há quem esteja “consternado” com os resultados, como o deputado estadual Cleiton Oliveira (PV/MG), que perdeu as eleições por 200 votos. O deputado estadual do PV tinha ampla base de apoio em dezenas de cidades, contava com milhares de apoiadores e ainda assim teve votação menor que o esperado em Varginha, sua base eleitoral. Vale ainda dizer que Cleiton Oliveira teve traições em sua base local, onde destinou emendas a vereadores supostamente aliados. A suplente de vereadora Mônica Cardoso (PCdoB) apoiou candidato forasteiro ao invés de Cleiton, dando ao mesmo cerca de 300 votos — os mesmos que poderiam garantir a vitória de Cleiton! Isso deve pesar na análise final que Cleiton fará de sua campanha e quanto aos supostos aliados. Não se acredita que Cleiton Oliveira “ficará na chuva”, pois muitos de seus aliados foram eleitos, como Gleide Andrade, com quem dobrou para federal, além de seu amigo pessoal ex-deputado Odair Cunha, que foi nomeado para o Tribunal de Contas da União. Vale ainda destacar que a base de oposição na ALMG, que deve ser comandada pelo PT, terá muitos cargos de relevância no Legislativo mineiro, onde Cleiton Oliveira poderá ser abrigado. Já há rumores de que Cleiton Oliveira possa ser o nome do campo da esquerda para a disputa de 2028 em Varginha, mas isso ainda depende de muitas conversas. Outro resultado que surpreendeu em Varginha foi a votação do ex-vereador Zacarias Piva, que saiu a federal pelo MDB; o ex-vereador ficou com cerca de 900 votos no total, o que foi bem abaixo das expectativas. Piva esperava uma boa votação para se projetar candidato a prefeito em 2028, mas o resultado obtido em 2026 mal o garante como candidato a vereador, se o político ainda desejar manter-se na política!
Resultado eleitoral – 06 – Estadual/Municipal
Em Varginha tivemos ainda outro candidato a deputado estadual que movimentou a cena política e influenciou resultados eleitorais na cidade: Ademir Santos! O apresentador da TV Alterosa conseguiu cerca de 32 mil votos, o que não é pouca coisa! Afinal, se estivesse disputando como candidato a deputado federal, pela mesma legenda, teria ganho a eleição. Ademir fez uma campanha simples, com pouco recurso, contou com o apoio do Governo Ciacci e obteve cerca de 9 mil votos em Varginha e foi o responsável pelo destino eleitoral de outros candidatos da cidade. Ademir saiu candidato a estadual de última hora; a expectativa era que Santos fosse disputar uma cadeira a federal — se tivesse disputado a federal pelo PL teria ganho! Embora o PL tenha eleito 21 deputados estaduais, fazendo a maior bancada para o próximo governo, Ademir ficou de fora, na 26ª colocação. Mas tem uma esperança, visto que é possível que algum deputado eleito do PL assuma como secretário na gestão de Cleitinho; além disso, muitos dos deputados estaduais eleitos agora vão disputar prefeituras nas eleições de 2028. Ou seja, há chances reais de que, após as eleições de 2028, dependendo dos resultados daquelas eleições, Ademir Santos cumpra 2 anos como deputado estadual. Mas para isso é preciso que Ademir permaneça no PL e torça pela combinação de resultados que envolve a composição do secretariado de Cleitinho, mais a escolha das urnas em 2028. Além disso, diante de uma votação de 9 mil votos de Ademir Santos em Varginha, não está descartada a possibilidade de Santos ser prospectado como candidato a vice-prefeito em 2028. Apoiado pelo prefeito Leonardo Ciacci nas eleições de 2026, não seria surpresa se Ademir Santos retribuir o apoio sendo vice de Ciacci em 2028. A conferir.
Resultado eleitoral – 07 – Estadual/Municipal
A Coluna também verificou quanto aos muitos outros candidatos locais que disputaram a estadual e federal. Partidos grandes como o Partido Progressista que lançou Fernanda David que amealhou poucos votos. Bem como legendas menores como Psol que lançou também candidato local a deputado estadual e federal, que igualmente tiveram poucos votos na cidade e pouco influenciaram no resultado final. A Coluna também fez levantamento do patrimônio declarado à Justiça Eleitoral pelos candidatos, bem como o cruzamento dos doadores dos principais candidatos locais e com votação expressiva na cidade. Vamos comentar tudo isso nas próximas colunas ao longo da semana. E por fim, na próxima vamos falar sobre a deputada federal reeleita Greice Elias e sobre a candidatura do ex-prefeito Verdi Melo, que disputou pelo Avante, mas perdeu as eleições com cerca de 35 mil votos, dos quais 25 mil em Varginha, o que faz de Verdi um potencial candidato em 2028.
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