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Comitê democrata dos EUA critica concessão de vistos a Flávio Bolsonaro e cobra explicações do governo Trump

há 7 horas
3 min de leitura
Foto: Isac Nóbrega/PR
Foto: Isac Nóbrega/PR


A decisão do governo dos Estados Unidos de conceder vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a familiares provocou críticas de representantes do Partido Democrata nesta quarta-feira (28). Parlamentares questionaram o tratamento oferecido ao político brasileiro e cobraram explicações da administração do presidente Donald Trump sobre a autorização para sua entrada no país.

A representação democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos manifestou-se nas redes sociais e comparou o tratamento concedido à família Bolsonaro às restrições enfrentadas por pessoas que tentam deixar países atingidos por conflitos, como Sudão e Haiti. A manifestação partiu dos democratas que integram o colegiado, e não do comitê inteiro.

A reação ocorreu depois que uma autoridade do Departamento de Estado confirmou que o governo americano concederia vistos a Flávio e a seus familiares, permitindo a entrada deles nos Estados Unidos. O anúncio ganhou repercussão em meio às dúvidas sobre o paradeiro do senador e às circunstâncias de sua saída do Brasil.

Democratas questionam justificativa para entrada nos EUA

O deputado democrata Joaquin Castro também criticou a possibilidade de Flávio permanecer nos Estados Unidos. Em uma publicação na rede social X, ele afirmou que perder uma eleição não constitui motivo para solicitar asilo.

Castro questionou ainda a participação das autoridades americanas nos acontecimentos envolvendo o senador brasileiro e cobrou esclarecimentos sobre a atuação do governo Trump. Em suas críticas, o parlamentar mencionou as investigações que envolvem Flávio e a determinação judicial brasileira que exigia a entrega de seus passaportes.

Outro democrata que se manifestou foi Isaiah Martin, comentarista político que defendeu a deportação do senador. Ele também questionou a possibilidade de recursos públicos americanos serem utilizados para custear despesas da família Bolsonaro, mas não apresentou comprovação de que esses gastos estivessem ocorrendo.

As manifestações refletem a oposição de representantes democratas à decisão do governo americano. Até o momento, porém, as críticas não representam uma decisão oficial do Congresso dos Estados Unidos nem indicam que tenha sido adotada alguma medida para impedir a entrada de Flávio no país.

Governo Trump confirma concessão de vistos

O Departamento de Estado americano confirmou que emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares, autorizando a entrada deles nos Estados Unidos. O anúncio foi feito por um alto funcionário do órgão, após informações de aliados do senador de que ele teria deixado o Brasil.

O presidente Donald Trump também afirmou que aprovaria a entrada do brasileiro. Questionado sobre o assunto na noite de terça-feira (27), o republicano disse considerar os integrantes da família pessoas decentes e voltou a questionar o processo eleitoral brasileiro, embora tenha declarado que não havia tomado partido na disputa.

A autorização para emissão dos vistos, entretanto, não equivale à confirmação de que Flávio tenha recebido asilo político. São procedimentos distintos, e não havia confirmação de que um eventual pedido de asilo tivesse sido aprovado.

Saída do Brasil ocorreu após determinação do STF

A polêmica ganhou força porque a possível viagem de Flávio aos Estados Unidos ocorreu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador e o proibiu de deixar o Brasil.

A Polícia Federal intimou Flávio a entregar os documentos dentro do prazo estabelecido, mas o senador não cumpriu a determinação. Em seguida, a corporação cancelou seus passaportes brasileiros, incluindo o comum e o diplomático.

A decisão judicial foi tomada em meio a investigações que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio também é investigado em um procedimento relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As suspeitas investigadas não equivalem a uma condenação criminal, e a existência dos procedimentos não comprova, por si só, a responsabilidade do senador.

Paradeiro do senador gerou dúvidas

Na terça-feira (27), aliados políticos e integrantes da equipe de Flávio afirmaram não saber onde ele estava. Informações divulgadas por veículos de comunicação apontaram possíveis deslocamentos pela Argentina e uma viagem em direção aos Estados Unidos, mas os relatos iniciais apresentavam divergências sobre o trajeto.

O governo argentino declarou que não havia registro oficial da entrada do senador no país. A situação também gerou questionamentos entre integrantes do Partido Liberal, incluindo o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, que afirmou desconhecer seu paradeiro.

A concessão de vistos pelo governo Trump ampliou a repercussão internacional do caso e acrescentou um novo ponto de tensão às relações entre Washington e Brasília.

Enquanto representantes democratas cobram explicações sobre o tratamento concedido ao senador, a administração americana mantém a decisão de permitir a entrada de Flávio e de seus familiares. O episódio ocorre em meio às divergências políticas entre os governos dos dois países e às investigações judiciais que envolvem o parlamentar brasileiro.

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