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Conflito no Sudão se prolonga e aprofunda crise alimentar; mulheres e crianças são as principais vítimas em acampamentos de deslocados

17 de set.
2 min de leitura

Reprodução/ IA
Reprodução/ IA
A guerra que continua devastando o Sudão, já em seu terceiro ano, provocou um colapso profundo na segurança alimentar de todo o território nacional. O conflito, que opõe o Exército regular às Forças de Apoio Rápido, obrigou milhões de pessoas a abandonarem suas casas, suas lavouras e seus meios de subsistência. Com a população rural deslocada, o plantio foi interrompido, as colheitas não foram feitas e os mercados locais ficaram sem abastecimento. A consequência direta é que a comida escasseou em todas as regiões, e o preço do que ainda existe tornou-se inacessível para a maioria das famílias.

Nos acampamentos improvisados, como o de Kosti, localizado no estado do Nilo Branco, cerca de dez mil pessoas que fugiram dos combates sobrevivem em condições extremamente adversas. Lá, não há estrutura adequada: as famílias dormem ao relento ou em abrigos precários, a água disponível é pouca e muitas vezes contaminada, e não há postos de saúde funcionando. A distribuição de alimentos praticamente não chega ao local, e quando chega, a quantidade é insuficiente para atender a todos. As mulheres, que tradicionalmente cuidam da alimentação dos filhos, são as primeiras a sentir o peso da escassez — e as primeiras a abrir mão da própria refeição para que as crianças possam comer.

A situação das crianças é ainda mais alarmante. Sem alimentação regular e sem proteínas, vitaminas e remédios, os pequenos adoecem com facilidade e têm dificuldade de se recuperar. Aisha Alnoor, que encontrou refúgio com a família em Kosti, conta que desde que chegou ao acampamento não recebeu nenhuma cesta, nenhum suprimento, nenhuma ajuda oficial. O pouco que trouxe consigo já se esgotou, e o que consegue colher nas redondezas mal dá para preparar uma refeição fraca por dia. Makka Hassab Alnaby vive o mesmo desespero: já perdeu um filho de doze anos, que não resistiu à desnutrição e à falta de atendimento médico. Os outros três filhos dela também estão com o peso muito abaixo do normal, e todos apresentam sinais de fraqueza e desidratação.

Os hospitais que ainda funcionam no país estão quase sem profissionais, sem medicamentos, sem eletricidade e sem água. Doenças que poderiam ser tratadas com simplicidade tornam-se fatais. Surtos de cólera e sarampo, que em tempos de paz são controlados rapidamente, agora se espalham sem barreira, atingindo principalmente crianças e idosos. As organizações internacionais e as Nações Unidas vêm repetindo em todos os comunicados que, enquanto as armas não se calarem e as estradas não forem liberadas para a passagem de ajuda humanitária, a fome vai avançar cada vez mais, e o número de vítimas vai crescer de forma irreversível.

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