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Conselho do MPF analisa abertura de investigação sobre atuação de Paulo Gonet no caso Master

há 4 horas
3 min de leitura
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne nesta sexta-feira (25) para decidir se existem elementos suficientes para abrir uma investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas apurações relacionadas ao Banco Master.

A sessão extraordinária ocorre em Brasília e analisa informações encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Mensagens extraídas do aparelho mencionam Gonet e levantaram questionamentos sobre sua relação com o empresário e sobre sua atuação nos procedimentos relacionados à instituição financeira.

O procedimento no Conselho foi aberto no início de setembro após uma representação apresentada por deputados do partido Novo. Os parlamentares questionaram a permanência de Gonet à frente dos procedimentos relacionados ao Banco Master e pediram que outro subprocurador-geral da República fosse designado para atuar nos processos relacionados ao caso no Supremo Tribunal Federal.

Entre os elementos analisados estão mensagens nas quais o advogado Ciro Soares, que já representou o Banco Master, aparece como intermediário de contatos entre Gonet e Vorcaro. Em uma conversa de abril de 2024, Soares afirmou ao então banqueiro que “Gonet é firme” e mencionou que “amizade é tudo”.

Também integra o material uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro durante um evento realizado em Londres, em abril de 2024. Na imagem, o procurador-geral aparece com um charuto nas mãos, enquanto o então banqueiro está sentado à sua frente. Gonet confirmou que participou do evento, mas nega ter mantido uma relação de amizade com Vorcaro.

As mensagens analisadas pela Polícia Federal também registram contatos intermediados por Ciro Soares em 2025. Segundo os dados apresentados ao Conselho, houve ligações entre os envolvidos e conversas sobre uma possível participação em outro evento em Londres. A segunda edição do encontro acabou cancelada.

Em manifestação enviada ao Conselho Superior do MPF, Gonet afirmou não ter relação de amizade com Vorcaro e disse não possuir interesse pessoal nos processos em que o ex-banqueiro aparece como parte ou investigado. O procurador-geral também declarou que um contato intermediado pelo advogado foi breve e não tratou de assuntos relacionados às suas funções.

O Conselho precisa avaliar se o conjunto de informações apresenta elementos suficientes para justificar uma investigação sobre possível prática de crime atribuída a Gonet. Caso a apuração seja autorizada, um subprocurador-geral da República poderá ser designado para analisar os fatos e apresentar posteriormente um relatório ao colegiado.

O relator do procedimento, subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, votou contra a abertura da investigação e também contra o afastamento de Gonet dos procedimentos relacionados ao Banco Master. Segundo ele, não existem, neste momento, indícios mínimos que justifiquem uma investigação.

Sanseverino afirmou que as mensagens envolvendo Vorcaro e Ciro Soares não devem ser analisadas de maneira isolada ou fora de contexto. O relator também destacou que, segundo os registros analisados pela Polícia Federal, não há mensagens diretas entre Gonet e Vorcaro e que o número de telefone do procurador-geral não foi encontrado na lista de contatos do ex-banqueiro.

A subprocuradora da República Janice Agostinho Barreto Ascari apresentou posição divergente e defendeu uma apuração preliminar sobre a atuação de Gonet. Ela afirmou que o material disponível ainda não seria suficiente para instaurar um procedimento investigatório criminal, mas também não justificaria o arquivamento imediato de uma apuração mais aprofundada.

A análise do Conselho ocorre enquanto também são discutidos os pedidos para que Gonet deixe de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master. O colegiado avalia separadamente se há elementos que justifiquem uma investigação e se o procurador-geral deve ser considerado impedido ou suspeito para atuar no caso.

Se uma investigação sobre possível crime for instaurada e forem identificados indícios suficientes ao final da apuração, os fatos poderão ser encaminhados ao Supremo Tribunal Federal, responsável por decidir sobre eventual abertura de inquérito.

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