Construção civil perde força em Minas e cresce abaixo do restante do país
13 de jul.
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PIB do setor recuou 3,7% no primeiro trimestre de 2026, enquanto atividade avançou no cenário nacional; emprego também apresenta sinais de enfraquecimento no estado
A construção civil em Minas Gerais iniciou 2026 em ritmo de desaceleração e com desempenho significativamente inferior ao registrado no restante do país. Dados do Boletim da Construção, elaborado pela Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor recuou 3,7% no primeiro trimestre deste ano.
No mesmo período, considerando a comparação com os três primeiros meses de 2025, a construção civil brasileira registrou crescimento de 1,3%, evidenciando a diferença entre o desempenho do setor em Minas Gerais e o cenário nacional.
A distância também aparece na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Enquanto a atividade da construção mineira apresentou retração de 0,2%, o setor avançou 2,9% no Brasil.
O resultado indica a continuidade da perda de dinamismo observada no setor mineiro. Em 2025, a construção civil já havia acumulado retração de 2,3% em Minas Gerais, enquanto o Brasil encerrou o período com crescimento de 0,5%.
Emprego também sente os efeitos da desaceleração
A perda de ritmo da atividade econômica começa a aparecer no mercado de trabalho. No primeiro trimestre de 2026, a população ocupada na construção civil em Minas Gerais caiu 2,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No cenário nacional, o movimento foi diferente. O número de trabalhadores ocupados no setor apresentou crescimento de 0,4%.
A diferença reforça a preocupação com o desempenho da construção mineira, setor que possui forte capacidade de geração de empregos e movimenta uma extensa cadeia econômica, envolvendo indústrias de materiais, comércio, serviços especializados, mercado imobiliário e fornecedores.
Crédito caro dificulta novos investimentos
Segundo análise da Fiemg, a combinação entre juros elevados, crédito caro, custos de financiamento e baixo nível de confiança continua limitando os investimentos privados e dificultando uma recuperação mais consistente da atividade.
A construção civil é especialmente sensível às condições de crédito, já que grande parte dos investimentos imobiliários, aquisição de imóveis e execução de novos empreendimentos depende de financiamentos de longo prazo.
Com o crédito mais caro, famílias tendem a adiar a compra de imóveis e empresas encontram maior dificuldade para financiar novos projetos, cenário que pode reduzir lançamentos, investimentos e contratações.
Os números do primeiro trimestre mostram que, enquanto a construção civil brasileira voltou a apresentar crescimento, Minas Gerais permanece em trajetória de desaceleração.
A recuperação do setor mineiro dependerá, entre outros fatores, da melhora das condições de financiamento, da retomada dos investimentos e do aumento da confiança de empresários e consumidores ao longo dos próximos meses.
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