Coreia do Sul conclui que minas plantadas pela Coreia do Norte causaram explosão na fronteira
há 4 dias
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A Coreia do Sul concluiu nesta segunda-feira (5) que minas antipessoais instaladas pela Coreia do Norte provocaram as explosões que feriram três soldados sul-coreanos na Zona Desmilitarizada (DMZ), na fronteira entre os dois países. A conclusão foi apresentada após uma investigação conjunta realizada pelas Forças Armadas sul-coreanas e pelo Comando das Nações Unidas (UNC).
O incidente aconteceu em 21 de setembro, quando militares sul-coreanos realizavam uma operação para estabelecer uma rota de patrulhamento em uma área densamente coberta por vegetação, próxima à Linha de Demarcação Militar (MDL). Duas explosões ocorreram durante a operação e deixaram três militares feridos. Dois sofreram ferimentos graves nos tornozelos, enquanto o terceiro teve ferimentos leves.
Segundo o tenente-general Kwon Dae-won, vice-presidente do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, as evidências reunidas na investigação apontaram que as minas foram instaladas pela Coreia do Norte ao sul da linha que divide os territórios. Os explosivos continham TNT e componentes de resina termofixa compatíveis com minas norte-coreanas.
Fragmentos retirados dos equipamentos dos soldados feridos também foram considerados idênticos aos encontrados anteriormente em minas antipessoais norte-coreanas recuperadas na região do rio Imjin. De acordo com os investigadores, as minas que provocaram as explosões estavam enterradas entre 3 e 10 centímetros de profundidade, o que reforçou a conclusão de que não chegaram ao local apenas por deslocamento causado por enchentes.
A investigação indicou ainda que os artefatos estavam localizados aproximadamente 10 metros ao sul da Linha de Demarcação Militar. A análise conjunta com o Comando das Nações Unidas concluiu que as minas foram colocadas deliberadamente e que a instalação provavelmente ocorreu cerca de 12 meses antes da explosão. Uma terceira mina norte-coreana também foi encontrada posteriormente nas proximidades do local.
O governo sul-coreano classificou a instalação das minas como uma violação do Acordo de Armistício de 1953, que encerrou os combates da Guerra da Coreia. O acordo estabelece restrições a atos hostis dentro da Zona Desmilitarizada e proíbe travessias da linha de demarcação sem autorização.
Após a conclusão da investigação, Kwon exigiu que a Coreia do Norte apresente um pedido formal de desculpas aos soldados feridos e retire imediatamente as minas instaladas na região. “Nosso Exército pede fortemente que a Coreia do Norte peça desculpas sinceras aos soldados sul-coreanos feridos na explosão e remova imediatamente as minas que instalou em violação ao acordo de armistício”, afirmou o militar.
As Forças Armadas da Coreia do Sul também realizaram nesta segunda-feira uma operação para retirar minas norte-coreanas identificadas na área ao sul da linha de demarcação. O Exército afirmou que poderá continuar as operações de remoção caso Pyongyang não retire voluntariamente os explosivos instalados na região.
A Coreia do Norte, porém, nega responsabilidade pelas explosões. A irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, Kim Yo Jong, classificou anteriormente as acusações de Seul como infundadas e rejeitou a exigência de um pedido de desculpas. Pyongyang também advertiu que poderia retaliar caso a Coreia do Sul adotasse medidas que considerasse provocativas.
A tensão ocorre em um momento de crescente militarização da fronteira. Segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, a Coreia do Norte vem reforçando suas posições ao longo da fronteira desde abril de 2024, com instalação de minas, cercas e barreiras antitanque. O Exército sul-coreano estima que até 7 mil trabalhadores norte-coreanos tenham sido mobilizados diariamente para atividades relacionadas à construção de fortificações e colocação de minas em determinados períodos.
Desde o início desse processo de reforço da fronteira, a Coreia do Sul registrou mais de 50 incursões norte-coreanas ao sul da Linha de Demarcação Militar em 2026, número superior aos nove casos registrados em 2024 e aos 17 de 2025, segundo dados apresentados pelos militares sul-coreanos.
A Zona Desmilitarizada, apesar do nome, permanece uma das áreas de fronteira mais militarizadas do mundo. A região tem cerca de 4 quilômetros de largura e é marcada por cercas, obstáculos militares e campos minados. A Guerra da Coreia terminou em 1953 com um armistício, mas os dois países não assinaram um tratado de paz definitivo e continuam tecnicamente em guerra.
A nova acusação contra Pyongyang aumenta a tensão entre as duas Coreias e ocorre enquanto o governo do presidente sul-coreano Lee Jae Myung busca reabrir canais de diálogo com a Coreia do Norte. Até o momento, porém, Pyongyang não demonstrou disposição para retomar as negociações com Seul.
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