Corrida pelo comando da ONU expõe disputas geopolíticas entre as maiores potências
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A sucessão do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) já movimenta governos e diplomatas em todo o mundo. Com o fim do segundo mandato de António Guterres previsto para o fim de 2026, países intensificam articulações para definir quem comandará a entidade pelos próximos cinco anos, em um cenário marcado por conflitos internacionais, disputas entre grandes potências e desafios crescentes ao multilateralismo.
O processo de escolha envolve negociações entre os 193 Estados-membros da ONU, mas a decisão passa, inicialmente, pelo Conselho de Segurança. Para que um candidato avance, é necessário obter pelo menos nove votos favoráveis e não sofrer veto de nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Somente após essa etapa o nome é submetido à Assembleia Geral para aprovação.
Entre os nomes apresentados oficialmente estão a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, apoiada por Brasil e México; o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi; a secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), Rebeca Grynspan; e o ex-presidente do Senegal Macky Sall. Cada candidatura apresenta propostas voltadas à reforma da ONU, fortalecimento da diplomacia, prevenção de conflitos e modernização da organização.
A eleição também desperta discussões sobre representatividade. Há expectativa de que, pela primeira vez desde a criação da ONU, uma mulher possa assumir a Secretaria-Geral. O debate ocorre em um momento em que a organização enfrenta críticas sobre sua capacidade de responder a guerras, crises humanitárias e impasses diplomáticos envolvendo as principais potências mundiais.
O tema foi analisado no podcast O Assunto, do g1, que destaca como a disputa vai além da escolha de um novo líder e reflete interesses estratégicos dos países-membros sobre o papel que a ONU deverá desempenhar nos próximos anos.