Daniel Vorcaro e o pai, Henrique, depõem à PF sobre grupos “A Turma” e “Os Meninos”
há 6 horas
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Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, e o pai dele, Henrique Vorcaro, prestam depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (30) em uma investigação que apura a atuação dos grupos chamados de “A Turma” e “Os Meninos”. Os dois estão presos preventivamente desde março e serão ouvidos em horários diferentes: Daniel às 14h, por videoconferência, e Henrique às 16h.
Os interrogatórios haviam sido adiados anteriormente depois que as defesas dos dois alegaram não ter acesso aos autos da investigação. Cerca de duas semanas atrás, os advogados fizeram reclamações formais à PF. Segundo a defesa de Daniel Vorcaro, o acesso ao conteúdo das apurações relacionadas a “A Turma” foi liberado na sexta-feira (25), permitindo a preparação para o depoimento.
A investigação busca esclarecer como funcionavam os dois grupos e qual seria a participação de Vorcaro nas atividades atribuídas a eles. Segundo a PF, “A Turma” teria funcionado como um braço armado ligado ao ex-banqueiro, com atuação voltada à intimidação de adversários e a ataques contra jornalistas. Já “Os Meninos” teriam uma atuação predominantemente tecnológica, envolvendo ataques cibernéticos, invasões de sistemas, derrubada de perfis e monitoramento ilegal de telefones e sistemas de comunicação.
Os investigadores também apuram se integrantes dos grupos conseguiram acessar sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até da Interpol. A suspeita é de que informações sigilosas sobre investigações envolvendo Vorcaro tenham sido obtidas antecipadamente e repassadas ao ex-banqueiro, o que poderia interferir no andamento das apurações.
Entre os elementos analisados pela PF estão mensagens trocadas por integrantes do grupo. Uma delas menciona a possibilidade de “quebrar os dentes de um jornalista”. Os investigadores também pretendem questionar Daniel Vorcaro sobre sua rede de contatos, sobre as pessoas de quem receberia informações e para quem essas informações seriam repassadas.
A PF também investiga uma possível antecipação de informações relacionadas à operação realizada em março. Segundo a apuração divulgada pela CNN, quando Vorcaro foi alvo de busca e apreensão naquele período, havia uma determinação judicial para bloquear bilhões de reais em suas contas, mas os agentes não encontraram os valores. Na semana seguinte, durante uma medida contra Henrique Vorcaro, os investigadores localizaram R$ 2 bilhões na conta do pai.
Defesa de Henrique
Henrique Vorcaro nega envolvimento com “A Turma” e contesta a interpretação da Polícia Federal sobre mensagens de pessoas apontadas como integrantes do esquema.
Em uma carta enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com cópia aos demais ministros da Corte, Henrique afirmou que não conhece o grupo mencionado pelos investigadores. Segundo ele, os valores citados nas mensagens correspondiam a pagamentos relacionados a empreendimentos e não tinham relação com qualquer atividade ilícita.
“Se pagavam alguém ou se usavam esse recebimento para qualquer turma ou pessoa, eu não tenho simplesmente nada a ver com isso, não conheço nem sei de turma nenhuma”, escreveu Henrique Vorcaro.
A defesa de Daniel Vorcaro também afirma que o ex-banqueiro vem tentando colaborar com as investigações e com a Justiça. Os advogados sustentam que ele teve poucas oportunidades de se manifestar verbalmente e classificam as acusações como inadequadas para justificar a prisão preventiva.
Segundo a defesa, os episódios investigados teriam ocorrido entre abril de 2024 e julho de 2025, antes da Operação Compliance Zero, e não teriam relação com as atividades do Banco Master. Os advogados afirmam ainda que os fatos estariam ligados a episódios da vida privada de Vorcaro, incluindo situações nas quais ele teria sido alvo de extorsões e ameaças relacionadas à exposição de sua intimidade.
Com os depoimentos de Daniel e Henrique Vorcaro, a Polícia Federal pretende concluir um dos inquéritos que investigam a atuação de “A Turma” e “Os Meninos”.
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