Desacelerar também é saber quando não dirigir e quando não trabalhar

Entre os dias 18 e 25 de setembro, acontece a Semana Nacional de Trânsito, período destinado ao fortalecimento das ações de educação, conscientização e segurança viária em todo o país. Em 2026, a campanha traz uma mensagem direta: “Desacelere. Seu bem maior é a vida.” Mais do que uma frase voltada aos motoristas, a mensagem nos convida a refletir sobre as escolhas que fazemos antes de assumir o volante e também antes de executar uma atividade profissional que exige atenção, coordenação, percepção e tomada de decisão.
Álcool e direção: uma combinação que não permite improvisos.
Colaboradores realizam as atividades práticas sem utilizando os óculos simuladores de quantidade de álcool ingerida.
Dirigir exige concentração, percepção dos riscos, capacidade de reação e tomada de decisões em poucos segundos. Quando essas capacidades são prejudicadas pelo consumo de álcool ou por outras substâncias psicoativas, o risco de uma ocorrência aumenta.
Em agosto deste ano, o Conselho Nacional de Trânsito atualizou os procedimentos de fiscalização relacionados ao álcool e também estabeleceu regras para a identificação de outras substâncias psicoativas, reforçando a preocupação com a condução de veículos sob influência dessas substâncias.
Mas existe uma reflexão que precisa ultrapassar os limites do trânsito: E quando a pessoa não vai dirigir, mas precisa trabalhar?
O risco também está dentro da empresa
Colaboradores participam da ação de conscientização realizada na Fertipar Sudeste.
Operar máquinas, conduzir equipamentos, realizar atividades de manutenção, trabalhar em altura, movimentar cargas ou executar qualquer tarefa que exija atenção e coordenação são atividades que dependem de condições adequadas de segurança.
Por isso, a prevenção não deve começar somente quando o trabalhador chega ao posto de trabalho. Ela também envolve conscientização, responsabilidade e a compreensão de que não estar em condições adequadas para realizar uma atividade pode representar um risco para o próprio trabalhador e para as pessoas ao seu redor.
A gestão de segurança e saúde ocupacional deve considerar os riscos presentes nas atividades e estabelecer medidas de prevenção. A NR-1, que regulamenta as disposições gerais de segurança e saúde no trabalho e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), estabelece diretrizes para essa gestão preventiva.
Conscientização que sai da teoria e vai para a prática
Foi com essa proposta que a R-SARTO Treinamentos e Engenharia, em parceria com a Fertipar Sudeste, realizou uma ação de conscientização com seus colaboradores durante a Semana Nacional de Trânsito.
O treinamento abordou os riscos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas e ao uso de substâncias psicoativas, inclusive medicamentos que possam interferir na capacidade de realizar determinadas atividades com segurança.
A primeira etapa foi realizada sem qualquer alteração das condições normais de percepção: os participantes puderam executar determinadas atividades observando a importância da atenção, da coordenação motora e da tomada de decisões para a realização segura do trabalho.
Depois veio a experiência prática.
Quando a percepção muda.
Participantes realizam as atividades propostas durante a simulação utilizando o óculos simulador de uso de álcool.
Utilizando óculos simuladores de alteração da percepção provocada pelo álcool, os participantes repetiram algumas das atividades propostas anteriormente. A experiência permitiu perceber, de forma prática, como alterações na percepção, na coordenação e na capacidade de executar determinadas tarefas podem interferir na segurança.
A intenção não foi reproduzir exatamente a experiência individual de uma pessoa que tenha consumido determinada quantidade de álcool, nem transformar o equipamento em instrumento de medição. O objetivo foi proporcionar uma experiência educativa, permitindo que os participantes percebessem como uma alteração das condições normais pode dificultar a execução de tarefas que, em condições habituais, parecem simples.
E essa é justamente uma das grandes contribuições das ações práticas de segurança: transformar uma informação que poderia ficar apenas na teoria em uma experiência capaz de provocar reflexão.
Segurança começa antes da atividade
Uma das principais mensagens deixadas pela ação é que prevenção não significa apenas saber executar corretamente uma tarefa.
É preciso também perguntar: Estou em condições adequadas para realizar essa atividade?
Minha percepção e minha capacidade de reação estão preservadas?
Existe algum fator que possa comprometer minha segurança ou a segurança de outra pessoa?
Essas perguntas são importantes tanto para quem vai pegar a estrada quanto para quem vai iniciar uma jornada de trabalho.
No trânsito, uma decisão equivocada pode acontecer em poucos segundos. No ambiente de trabalho, uma falha de percepção ou de coordenação também pode resultar em uma ocorrência grave. Por isso, falar sobre álcool, direção e trabalho é falar, acima de tudo, sobre responsabilidade, prevenção e preservação da vida.
Prevenir é desacelerar
A Semana Nacional de Trânsito nos lembra que segurança viária é uma responsabilidade compartilhada. Em 2026, a campanha reforça a necessidade de desacelerar e proteger o bem mais importante: a vida.
Mas desacelerar também pode signifi car parar, avaliar as condições e reconhecer quando não é seguro seguir.
Não dirigir depois de beber.
Não assumir uma atividade de risco quando não se está em condições adequadas.
Não ignorar os sinais de alteração da percepção, da atenção ou da coordenação.
Prevenção é fazer a escolha certa antes que o risco se transforme em acidente.
A iniciativa realizada pela R-SARTO Treinamentos e Engenharia junto à Fertipar Sudeste mostra que a conscientização pode ir além da palestra: pode envolver experiências práticas, diálogo e participação dos trabalhadores.
Porque, no final, a melhor consequência de uma ação de segurança não é apenas o conhecimento adquirido.
É a vida preservada.
Prevenção em Pauta — informação que transforma comportamento e ajuda a proteger vidas.

*Cristiane Gomes é Instrutora, Especialista em Planejamento e Gestão de Trânsito, com formação em Pedagogia, Bacharelado em Administração e curso técnico em Segurança do Trabalho.
Com ampla experiência nas áreas de educação para o trânsito, segurança ocupacional e treinamentos corporativos, é proprietária da R-Sarto Treinamentos, empresa especializada em capacitação profissional e desenvolvimento de programas preventivos.
Atua como colunista da Gazeta de Varginha, abordando temas voltados à prevenção, mobilidade segura e cultura de segurança no trabalho.







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