top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Despejo de idosa de 87 anos após 70 anos na mesma casa vira símbolo da crise habitacional na Espanha; milhares protestam e ela consegue voltar

29 de set.
2 min de leitura

Reprodução
Reprodução
María del Carmen Abascal, conhecida carinhosamente como Maricarmen, tornou-se o rosto da luta por moradia digna na Espanha. A idosa de 87 anos morava no mesmo apartamento, no bairro de El Retiro, em Madri, desde 1956 — mais de sete décadas. Cresceu, viveu com os pais e herdou o imóvel, mantendo um contrato de aluguel acessível que correspondia ao que sua renda permitia. Tudo mudou em 2018, quando uma empresa imobiliária adquiriu o prédio e passou a exigir um valor até quatro vezes maior, incompatível com sua aposentadoria de cerca de 1.300 euros por mês.

O processo de despejo se arrastou por anos. A idosa venceu em primeira instância, mas a decisão foi revertida. Após recursos sucessivos e tentativas de suspensão, a retirada aconteceu na quarta-feira, dia 23 de setembro. Maricarmen foi levada em uma maca diretamente para um hospital, em estado de grande fragilidade. O caso comoveu o país: no sábado seguinte, dezenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas de Madri, acamparam na Puerta del Sol e fizeram manifestações também em Barcelona, Sevilha e Valência, pedindo proteção aos inquilinos e proibição de despejos sem alternativa de moradia.

A pressão popular gerou resultado. Na segunda-feira, foi anunciado um acordo: Maricarmen vai voltar para casa, pagando aluguel próximo ao que já pagava, com contrato de oito anos. Ela segue internada em observação e deve assinar o documento assim que receber alta. Em vídeo, pediu que a população não desista: "Eu não consegui defender minha casa, mas lutei para que outras pessoas aprendam a lutar pelas delas". O caso expõe uma realidade mais ampla: em Madri, o preço do aluguel quase dobrou em uma década, comprometendo quase metade do rendimento médio das famílias, bem acima do limite de 30% considerado adequado por organismos internacionais.

Comentários


bottom of page