Eleitores árabes em Israel mobilizam-se para derrotar Netanyahu e combater discriminação; Ra'am e Lista Conjunta são as principais legendas
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A comunidade árabe de Israel prepara-se para comparecer em peso às urnas nesta terça-feira (27), movida por um objetivo comum: derrotar o governo de Benjamin Netanyahu e eleger representantes que enfrentem a discriminação histórica contra sua população. Nas ruas de Kafr Qassem — cidade de maioria árabe, ao norte de Tel Aviv — a disposição é clara. "Estamos sendo oprimidos por um governo corrupto", afirmou Adel Amer à CNN. "Votamos contra Netanyahu, contra Ben-Gvir e contra Smotrich. Vamos fazer a diferença e vamos mudar este governo", declarou, citando os ministros considerados mais extremistas da atual gestão.
A esperança vai além de remover o premiê: deposita-se também na capacidade de os próprios parlamentares árabes agirem de forma unida no Knesset, o Parlamento israelense. "Espero que se unam e trabalhem juntos para pôr fim ao racismo e à discriminação, para que sintamos que somos todos iguais neste país", disse o médico Ayman Odeh, resumindo o sentimento de muitos. Duas legendas principais disputam a confiança dos eleitores: o Ra'am, de Mansour Abbas, e a Lista Conjunta, de Yousef Jabareen. Embora dificilmente integrem uma coalizão governista, seu apoio externo pode ser decisivo para formar maioria contra Netanyahu.
A consciência de que a mudança pode não ser radical não diminui a determinação. "Sabemos que não será transformação total, mas será melhor do que vivemos agora", afirmou Sujood Amer, reforçando que cada voto conta. A postura contrasta com eleições anteriores, em que a participação entre os árabes costumava ser mais baixa ou dividida. Agora, a percepção de que o atual governo elevou a discriminação a níveis sem precedentes mobilizou eleitores de diferentes gerações e visões políticas.
O peso da comunidade árabe no eleitorado é maior do que sua representação atual costuma refletir. Se a mobilização se confirmar nas urnas, pode alterar a aritmética política de Israel: mesmo sem integrar o governo, um bloco árabe forte e unido pode impor pautas, cobrar compromissos e dificultar avanços de projetos considerados prejudiciais à população. Para milhares de cidadãos, este não é apenas mais um pleito — é oportunidade de dizer que pertencem a este país e merecem ser tratados como iguais.
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