Empresa australiana avalia reativar mina de tungstênio explorada durante a Segunda Guerra no RN
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A empresa australiana Gold Mountain avalia reativar uma antiga mina de tungstênio explorada durante a Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte. A companhia anunciou nesta segunda-feira (5) que obteve o direito exclusivo de analisar e, eventualmente, adquirir a área da Mina Malhada do Angico, localizada no Seridó potiguar, nas proximidades do município de Parelhas.
A área do projeto possui aproximadamente 857 hectares. O acordo firmado pela Gold Mountain garante à empresa um período de 12 meses de exclusividade para realizar avaliações técnicas, jurídicas e regulatórias antes de decidir se seguirá com a aquisição.
A companhia australiana já desembolsou R$ 1 milhão para obter a exclusividade. Caso a operação avance, outros R$ 2 milhões poderão ser pagos, elevando o valor potencial do negócio para R$ 3 milhões.
Um dos pagamentos adicionais depende de uma decisão favorável da Agência Nacional de Mineração (ANM) sobre o Relatório Final de Pesquisa apresentado em 2016, além de uma avaliação positiva da própria Gold Mountain. Outra parcela está condicionada à aprovação da transferência dos direitos minerários para a empresa australiana. O processo está atualmente em análise pela agência reguladora.
Mina explorada durante a guerra
A antiga operação da Malhada do Angico foi conduzida pela Mineração Fluminense durante a Segunda Guerra Mundial. A atividade envolvia a extração de rochas contendo scheelita, principal minério utilizado como fonte de tungstênio na região, com processamento realizado no próprio local.
O tungstênio ganhou importância estratégica durante grandes conflitos do século 20 e ficou conhecido como “mineral da guerra” por sua utilização na fabricação de ligas de alta resistência e aços especiais. O material é empregado em diferentes setores industriais, incluindo equipamentos de corte e componentes submetidos a condições extremas.
A exploração do tungstênio no Seridó ganhou força justamente durante a Segunda Guerra Mundial, quando a demanda internacional pelo mineral aumentou. A região chegou a ter importante participação na produção de scheelita, atividade que posteriormente perdeu força com as mudanças no mercado internacional.
Nova campanha de exploração
Embora ainda não tenha comprado a antiga mina, a Gold Mountain já iniciou uma nova etapa de pesquisas na área. A empresa começou a realizar perfurações com trado nos rejeitos deixados pela antiga operação, com o objetivo de estimar a concentração de tungstênio, medir a espessura do material e coletar amostras para testes metalúrgicos.
Os resultados dessa análise ainda não foram divulgados.
A mineradora também prepara uma campanha de sondagem diamantada para verificar se a mineralização continua abaixo e ao redor das antigas áreas de exploração. O programa deverá investigar aproximadamente 2 quilômetros da formação geológica associada ao tungstênio, chegando a profundidades de cerca de 120 metros.
O início dessa etapa depende da obtenção das autorizações ambientais e regulatórias necessárias. David Evans, diretor-executivo da Gold Mountain, afirmou que a empresa pretende acelerar o programa de exploração e iniciar as perfurações assim que as licenças forem obtidas.
Segundo Evans, a companhia também está analisando os rejeitos históricos da antiga mineração para confirmar os teores de tungstênio e obter material destinado aos testes metalúrgicos.
Valorização do tungstênio
O interesse pela área ocorre em um momento de forte valorização do tungstênio no mercado internacional. Em 2026, o preço do mineral subiu em meio à redução da oferta e às restrições impostas pela China, que concentra grande parte da produção mundial.
A valorização também está relacionada ao aumento da procura por tungstênio em setores como defesa, aeroespacial e semicondutores. No Rio Grande do Norte, as exportações do mineral somaram US$ 6,8 milhões no primeiro semestre de 2026, contra US$ 1,5 milhão no mesmo período de 2025, uma alta de 356% em valor.
O movimento internacional recolocou o tungstênio produzido no Seridó em evidência e aumentou o interesse por áreas que possuem histórico de exploração do mineral. No caso da Malhada do Angico, porém, a eventual retomada da mineração ainda depende das avaliações da Gold Mountain e das autorizações necessárias.
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