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Espanha condena "interferência externa" de Milei; presidente argentino chamou Sánchez de "ditador, ladrão e corrupto" em visita a Madri

há 50 minutos
2 min de leitura

Reprodução
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O governo da Espanha condenou oficialmente nesta quarta-feira (21) as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, feitas durante visita oficial a Madri. Em discurso no país, Milei classificou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de "ditador", "ladrão" e "corrupto", e pediu aos eleitores que o afastem do poder nas eleições gerais antecipadas marcadas para 29 de novembro. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha emitiu comunicado classificando as falas como "insultos, calúnias e ingerências externas", e afirmou: "É vergonhoso que uma pessoa que ocupa o mais alto cargo de uma nação irmã faça visitas ao nosso país com o único objetivo de tentar fomentar um clima de polarização e violência".

O discurso de Milei foi proferido em fórum econômico, em apoio à oposição de direita e extrema direita espanhola. Disse ele: "A Espanha soube acolher centenas de milhares de argentinos que fugiram da miséria e da falta de futuro, fruto do sinistro socialismo do século XXI e de sua filial argentina, o 'kirchnerismo', e vocês sofrem regularmente com o inaceitável ditador Pedro Sánchez". O presidente argentino instou ainda os cidadãos a "expulsarem os socialistas a pontapés", a pouco mais de um mês do pleito em que cerca de 39 milhões de espanhóis estão convocados a votar.

Além de atacar o chefe de governo, Milei ampliou suas críticas a partidos de esquerda de toda a Europa, acusando-os de serem responsáveis pela "estagnação brutal" do continente. Também questionou a política migratória da Espanha, afirmando que o governo de Sánchez fomenta, com motivações eleitorais, uma "invasão" de imigrantes — citando especificamente a entrada de dezenas de milhares de pessoas no enclave de Ceuta, no final de julho. Avaliou que a combinação de crise econômica e gestão da migração traça "um caminho de decadência muito difícil de reverter".

Nas eleições de novembro, as pesquisas apontam vantagem eleitoral para o Partido Popular (PP), de centro-direita, à frente dos socialistas, embora sem maioria absoluta. Esse cenário confere ao partido de extrema direita Vox posição potencialmente decisiva. Durante sua estadia em Madri, Milei tem encontros agendados justamente com representantes do Vox e com Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madri e figura de destaque no PP. A repercussão dos ataques presidenciais divide opiniões e pode influenciar o clima de campanha nos últimos dias antes da votação.

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