Especialistas avaliam que diplomacia agrícola deve se manter estável independente do resultado eleitoral; comércio com China e mercados globais tendem a prosseguir
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O resultado das eleições presidenciais pode alterar a postura política externa do Brasil, mas a estrutura comercial do agronegócio tende a se manter preservada, segundo avaliação de especialistas ouvidos pela reportagem. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro pode aproximar o país dos Estados Unidos e tornar a relação com a China mais cautelosa em termos políticos, mas o fluxo de produtos agrícolas — especialmente carnes, grãos e insumos — não deve sofrer ruptura. Para o embaixador Rubens Barbosa, o setor não permitirá medidas que prejudiquem o comércio com o maior parceiro comercial do Brasil. "Não vão fazer nada que prejudique o agro", afirmou.
A área onde mudanças podem ser mais perceptíveis é na atração de investimentos. Segundo Larissa Wachholz, especialista em relações internacionais, a China observa com cautela a estabilidade jurídica e o ambiente político; um alinhamento mais forte com Washington pode tornar empresas chinesas mais reservadas ao aplicar recursos em setores estratégicos como infraestrutura e biocombustíveis. Outro ponto de atenção é a agenda ambiental: avanços de rastreabilidade, certificação e exigências de mercados importadores poderiam ser afetados caso haja afrouxamento de normas sobre desmatamento, o que teria impacto de longo prazo sobre a credibilidade do Brasil no exterior.
Marcos Jank, pesquisador do Insper, reforça que a disputa entre potências torna o cenário internacional mais complexo, mas que a essencialidade dos alimentos brasileiros — o país responde por 37% das exportações globais de frango, entre 25% e 30% de carne bovina e 15% de suína — cria incentivos concretos para que compradores continuem adquirindo independentemente de governantes. Ricardo Santin, da ABPA, sintetizou: "Não carimbamos nossas proteínas com ideologia ou partido". A estratégia de diversificação de mercados e a posição do Brasil como fornecedor confiável de volume e preço competitivo devem seguir orientando a diplomacia agrícola, seja qual for o governo que assumir em janeiro.
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