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Especialistas em manguezais alertam dos riscos sem preservação do mar

19 de jul. de 2023
3 min de leitura

Foto divulgação

O primeiro Congresso Nacional de Manguezais (ConMangue) começou nesta segunda-feira (17), em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, com alertas sobre as condições do mar e da necessidade de estancar o processo de degradação das águas. Na abertura do encontro, o coordenador Nacional da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos e Comunidades Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem), Flávio Lontro, disse esperar que o somatório de vozes faça um coro para que empresários e governos consigam ouvir o apelo de que o mar está morrendo.
“A previsão de futuro que a gente projeta são as piores possíveis, porque se a coisa for do jeito que está, a Terra vai virar um deserto e o mar vai ser inavegável. Para nós que dependemos do mar para trabalhar e fazer o nosso dia a dia vai ser muito ruim”, alertou.
Lontro adiantou que pretende encaminhar uma proposta ao prefeito de Niterói, Axel Grael, para que seja criada uma matéria nas escolas que ensine os conceitos de preservação ambiental aos estudantes. Ele sugere ainda que o prefeito encaminhe a proposta a outros prefeitos do país.
“Tomara que o ConMangue start [comece] essa coisa toda. Vou reforçar com o prefeito para ver se consigo sensibilizá-lo para inserir a grade de meio ambiente nas escolas para formar as crianças para podermos mudar um pouco o panorama futuro, também tenho filhos e netos e não é isso que quero deixar para eles”, disse.
O presidente da Guardiões do Mar e coordenador-geral do Projeto Do Mangue ao Mar, Pedro Paulo Belga, lembrou que a ONG foi criada para provar que a Baía de Guanabara estava viva, e ao longo do tempo vem realizando ações para garantir a qualidade dos manguezais da região.
“É intenção com este congresso que nos próximos dias possamos ver o quanto os manguezais [são resilientes], mas nós também somos resilientes. Precisamos juntar nesses quatro dias a academia, o poder público, as unidades de conservação, as ONGs e os povos da pesca. Acho que daqui vão sair grandes ideias, porque estamos trabalhando e falando com todos que vivem no manguezal e do manguezal.
Pedro Belga informou que em uma década, de 2013 a abril de 2023, em projetos desenvolvidos pelas instituições, foram plantadas 120 mil árvores nos mangues da Baía de Guanabara. “Nós plantamos 33 árvores por dia, mil árvores por mês, 12 mil árvores por ano e chegamos a marca de 120 mil árvores plantadas na Baía de Guanabara”, revelou.
O biólogo lembrou que a preservação dos mangues influencia até a socioeconomia. “A gente não plantou só para a Baía de Guanabara, plantamos para o mundo, porque os mangues são sequestradores de carbono, geram sociobiodiversidade, fomentam a socioeconomia, então, a minha gratidão a todos vocês que estão aqui hoje”.
Segundo Pedro Belga, a maior faixa contínua de manguezais conservados do estado do Rio de Janeiro está na Baía de Guanabara. “São milhares de famílias de pescadores artesanais, de catadores de caranguejo e quilombolas que vivem neles e deles, e, por isso, nós cuidamos deles há tanto tempo. Nos últimos 25 anos, a Guardiões do Mar dedicou boa parte de seus trabalhos na conservação e na recuperação desses ambientes. Além disso, trabalhamos a educação ambiental para que as pessoas entendam a real importância dos manguezais, e que mesmo estando longe deles, morando na serra, por exemplo, elas podem de forma positiva ou negativa impactar esse ecossistema”, disse.

Fonte:AgenciaBrasil

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