Estudo indica que bactéria benéfica do útero pode melhorar chances de fertilidade em mulheres acima dos 35 anos
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Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Cellular and Infection Microbiology indica que a presença predominante de bactérias do gênero Lactobacillus no útero pode aumentar as chances de gravidez em mulheres com mais de 35 anos. A pesquisa reforça a importância do microbioma do trato reprodutivo feminino para a fertilidade e sugere que o equilíbrio dessas bactérias pode favorecer o sucesso da concepção.
A pesquisa é uma revisão sistemática com meta-análise que reuniu dados de 27 estudos envolvendo 2.174 mulheres. Os pesquisadores compararam o microbioma do trato reprodutivo de mulheres férteis e inférteis e observaram que aquelas com infertilidade apresentavam menor presença de Lactobacillus e maior quantidade de bactérias consideradas oportunistas, como Prevotella e Burkholderia.
Segundo os pesquisadores, a redução de Lactobacillus pode comprometer o ambiente do trato reprodutivo, favorecendo alterações que dificultam a implantação do embrião e o desenvolvimento da gestação. Os resultados foram mais evidentes nas amostras do trato reprodutivo inferior, embora o estudo também aponte a influência do microbioma uterino sobre a fertilidade.
A pesquisa ganha relevância principalmente para mulheres com mais de 35 anos, faixa etária em que a fertilidade tende a diminuir naturalmente. Os autores destacam que compreender a composição do microbioma poderá contribuir para aperfeiçoar tratamentos de reprodução assistida e desenvolver novas estratégias para aumentar as chances de gravidez nesse grupo.
Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que as evidências disponíveis ainda são baseadas, em sua maioria, em estudos observacionais. Por isso, afirmam que são necessárias pesquisas prospectivas de maior qualidade para confirmar a relação entre o microbioma do trato reprodutivo e a fertilidade feminina e definir possíveis aplicações clínicas.