EUA negam vistos a autoridades e jornalistas da Rússia, Irã e Palestina antes da Assembleia Geral da ONU
há 6 dias
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Às vésperas do início da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), os Estados Unidos negaram vistos a autoridades e integrantes da imprensa da Rússia, do Irã e da Autoridade Palestina que pretendiam viajar a Nova York para participar do encontro anual. A 81ª sessão da Assembleia Geral começa nesta terça-feira (22), reunindo líderes e representantes dos 193 países-membros.
As negativas geraram críticas dos três lados e levantaram questionamentos sobre as obrigações dos Estados Unidos como país-sede da ONU. Um acordo firmado em 1947 estabelece, em geral, que o governo americano deve garantir o acesso de diplomatas estrangeiros a Nova York para que participem de atividades oficiais das Nações Unidas.
Washington, porém, sustenta que pode negar vistos em situações relacionadas a questões de segurança, extremismo e política externa. A situação envolvendo Rússia, Irã e Palestina ocorreu de maneiras diferentes para cada uma das delegações.
Rússia
O Kremlin informou nesta terça-feira (22) que os Estados Unidos negaram visto ao vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Alimov.
O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, classificou a decisão como um ato “hostil” e afirmou que a medida contraria as obrigações dos Estados Unidos como país que abriga a sede das Nações Unidas. Segundo Peskov, Moscou pretende levar o assunto a Washington.
Apesar da negativa de visto a Alimov, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, estará presente na Assembleia Geral. Segundo informações divulgadas pela imprensa russa, Lavrov pretende se reunir nesta terça-feira com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, embora o encontro ainda não tenha sido confirmado pelo governo dos Estados Unidos.
O governo americano não havia apresentado publicamente, até a publicação da reportagem, uma justificativa específica para a negativa do visto de Alimov.
A ONU já havia manifestado preocupação com o tema. Em maio, o porta-voz da organização, Farhan Haq, afirmou que esperava que os Estados Unidos emitissem os vistos necessários para todos os participantes que precisassem comparecer às atividades oficiais da entidade em Nova York.
Irã
No caso do Irã, os Estados Unidos autorizaram a entrada da delegação principal, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. A delegação, entretanto, será menor do que a do ano passado e estará sujeita a restrições de circulação e à proibição de determinadas compras, conforme as políticas americanas.
A restrição atingiu integrantes da imprensa iraniana que pretendiam acompanhar a delegação do país. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, criticou a decisão e acusou os Estados Unidos de tentar restringir o acesso a informações.
Pezeshkian viajou de Teerã para Nova York para participar da Assembleia Geral. Antes da viagem, o presidente iraniano criticou o que classificou como descumprimentos de acordos internacionais e condenou ações contra civis em Gaza, na Síria, no Iêmen e no próprio Irã.
O ministro Abbas Araqchi também já chegou a Nova York e participou de atividades relacionadas à Assembleia Geral. Ele afirmou que o tema escolhido para a sessão deste ano — “Restaurando a Confiança, Gerenciando a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Beneficia a Todos” — demonstra a dimensão da crise de confiança em torno da organização internacional.
Autoridade Palestina
Os Estados Unidos também negaram visto ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que não poderá viajar a Nova York para participar presencialmente da Assembleia Geral. Esta é a segunda vez consecutiva que Abbas fica impedido de comparecer pessoalmente ao encontro anual da ONU.
Além do presidente palestino, as restrições atingem integrantes da Autoridade Palestina e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). O Departamento de Estado americano afirmou que as medidas foram mantidas devido ao que considera descumprimento de compromissos e ações que prejudicariam as perspectivas de paz. Washington também citou iniciativas palestinas em organismos judiciais internacionais e acusações relacionadas à glorificação do terrorismo.
As autoridades palestinas rejeitaram as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e classificaram as restrições como injustificadas. Segundo a posição palestina, a medida contraria esforços para reconstruir as relações entre as partes e criar condições políticas para uma solução de dois Estados.
Mesmo sem poder viajar a Nova York, Abbas recebeu autorização da Assembleia Geral para participar remotamente. Em votação realizada na quinta-feira (17), a resolução que permitiu seu discurso por vídeo foi aprovada por 152 votos a favor, três contra e quatro abstenções.
A diferença entre as decisões americanas ganhou destaque às vésperas da abertura da Assembleia Geral: enquanto a delegação principal do Irã recebeu autorização para comparecer, integrantes da delegação palestina, incluindo Abbas, foram impedidos de viajar, e um representante de alto escalão da Rússia teve o visto negado.
O acordo de 1947 sobre a sede da ONU estabelece as obrigações dos Estados Unidos em relação ao acesso de representantes estrangeiros às Nações Unidas. O governo americano, porém, afirma que essas obrigações não impedem a aplicação de restrições por razões relacionadas à segurança, terrorismo e política externa.
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