EUA registram quinta morte relacionada ao sarampo em 2026 em meio ao pior surto em décadas
há 5 dias
3 min de leitura
Freepik
Os Estados Unidos registraram uma quinta morte relacionada ao sarampo em 2026, em meio ao avanço da doença no país. A nova morte foi confirmada por autoridades de saúde da Pensilvânia, onde um morador do condado de Lancaster morreu após contrair a doença. Os cinco óbitos registrados no estado neste ano ocorreram entre pessoas que não estavam vacinadas.
A Pensilvânia se tornou o principal foco do atual avanço do sarampo nos Estados Unidos. Até 30 de setembro, o estado contabilizava 943 casos confirmados distribuídos por 39 condados. Apenas quatro dos casos registrados ocorreram em pessoas vacinadas, segundo dados divulgados pelas autoridades estaduais.
O número de mortes, porém, apresenta uma diferença entre os dados estaduais e a contagem nacional do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Na atualização mais recente disponível, o órgão federal contabilizava duas mortes relacionadas ao sarampo em todo o país, enquanto a Pensilvânia já havia confirmado cinco óbitos associados à doença. O CDC informou que está trabalhando com epidemiologistas estaduais para estabelecer uma definição padronizada para a classificação das mortes por sarampo.
A divergência ocorre depois que o CDC passou a utilizar dados do National Center for Health Statistics (NCHS) para a contagem nacional de mortes, em vez de depender exclusivamente das notificações feitas pelos departamentos estaduais de saúde. Os números federais podem ser alterados à medida que novas informações sejam analisadas e os casos passem por revisão.
Número de casos bate recorde em décadas
Até 24 de setembro, o CDC havia registrado 3.659 casos confirmados de sarampo nos Estados Unidos em 2026. O número já supera o total contabilizado durante todo o ano de 2025, quando foram registrados 2.289 casos confirmados.
O órgão federal informou ainda que 95% dos casos registrados em 2026 estavam associados a surtos. Foram identificados 40 novos surtos ao longo do ano, considerando a definição utilizada pelo CDC, que considera surto a ocorrência de três ou mais casos relacionados.
O avanço da doença ocorre após anos de cobertura vacinal elevada terem permitido aos Estados Unidos declarar o sarampo eliminado em 2000. A eliminação significa que não havia transmissão contínua da doença no país, com os casos ocorrendo principalmente após pessoas contraírem o vírus no exterior e levarem a infecção de volta aos Estados Unidos.
Segundo o CDC, a cobertura da vacina tríplice viral, conhecida como MMR, entre crianças matriculadas no jardim de infância caiu de 95,2% no ano letivo de 2019-2020 para 92,4% em 2025-2026. O órgão considera que uma cobertura superior a 95% é necessária para manter a proteção coletiva em comunidades. A redução deixou aproximadamente 280 mil crianças dessa faixa escolar sem a proteção esperada no último ano letivo.
A queda na cobertura também criou áreas com concentração de pessoas não vacinadas. Segundo o CDC, quando o vírus do sarampo chega a comunidades com baixa vacinação, existe maior possibilidade de ocorrência de surtos e de disseminação da doença.
Vacinação e avanço da doença
O sarampo é altamente contagioso e pode provocar complicações graves. A proteção é feita principalmente pela vacina MMR, que também protege contra caxumba e rubéola.
De acordo com o CDC, duas doses da vacina são cerca de 97% eficazes na prevenção do sarampo, enquanto uma dose apresenta eficácia de aproximadamente 93%. O órgão afirma que infecções em pessoas vacinadas podem ocorrer, especialmente em comunidades onde há circulação intensa do vírus, mas representam uma parcela menor dos casos.
Na Pensilvânia, o avanço do surto levou as autoridades a intensificarem a vacinação. Mais de 53 mil doses da MMR foram administradas no estado durante setembro, em uma tentativa de conter a transmissão.
O cenário atual coloca o país diante de uma retomada significativa da circulação do sarampo após décadas de controle. O número nacional de casos registrado até setembro de 2026 já é superior ao de 2025 e se aproxima de níveis não observados no país há décadas.
Comentários