top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

EUA retiram últimas tropas do Iraque após mais de 20 anos de presença militar; entenda o que muda

há 6 horas
3 min de leitura


As últimas tropas dos Estados Unidos deixaram o Iraque nesta quarta-feira (30), encerrando mais de duas décadas de presença militar americana no país. A retirada marca o fim da missão da coalizão internacional contra o Estado Islâmico e transfere às forças iraquianas a responsabilidade integral pela segurança nacional.

A saída dos militares americanos ocorre mais de 20 anos depois da invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2003, que derrubou o regime de Saddam Hussein. A presença militar americana chegou a superar 170 mil soldados durante o auge das operações de combate à insurgência, em 2007.

A retirada, porém, não representa o fim da relação entre Washington e Bagdá. Os dois países passam agora a uma etapa baseada em uma parceria bilateral de segurança, com os Estados Unidos mantendo apoio em áreas como treinamento e inteligência.

Por que os EUA saíram agora?

A atual retirada foi estabelecida em um acordo firmado entre os governos americano e iraquiano em setembro de 2024. O plano previa uma transição gradual da missão militar da coalizão para uma relação bilateral entre os dois países.

A primeira etapa terminou em setembro de 2025, quando a coalizão encerrou sua missão militar no Iraque. A segunda fase se estendeu até setembro de 2026 e permitiu a continuidade de operações relacionadas ao combate ao Estado Islâmico a partir de bases no país, enquanto as condições de segurança eram avaliadas.

A justificativa apresentada pelos Estados Unidos é que a missão contra o Estado Islâmico alcançou seu principal objetivo. O grupo perdeu o controle territorial que havia conquistado no Iraque e deixou de representar a mesma ameaça militar organizada existente quando os americanos retornaram ao país, em 2014.

Naquele ano, o avanço do Estado Islâmico sobre grandes áreas do Iraque e da Síria levou o governo iraquiano a pedir novamente apoio militar internacional. A coalizão liderada pelos Estados Unidos passou então a atuar no combate ao grupo.

As operações militares da coalizão contra o Estado Islâmico no Iraque terminaram em 2021, mas os Estados Unidos mantiveram tropas no país em funções de aconselhamento, treinamento e apoio às forças iraquianas.

O que muda para o Iraque?

Com a retirada dos últimos militares americanos, as forças de segurança iraquianas passam a assumir diretamente o combate a possíveis ameaças terroristas e a responsabilidade pelo controle do território.

O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, apresentou a retirada como um marco para a soberania do país. Segundo o governo, as forças de segurança iraquianas já possuem capacidade para assumir o controle do cenário operacional e de segurança nacional.

O fim da presença militar americana, entretanto, também gera preocupações. Especialistas e moradores temem que a saída possa criar espaço para o fortalecimento de milícias apoiadas pelo Irã ou permitir que células remanescentes do Estado Islâmico retomem atividades.

As milícias alinhadas ao Irã estão entre os principais grupos que pressionaram pela retirada das tropas americanas. Para Teerã e seus aliados, o fim da presença militar dos Estados Unidos representa uma vitória na disputa pela redução da influência americana no Oriente Médio.

Outro desafio é o controle das armas no país. O governo iraquiano defende que o armamento fique sob autoridade exclusiva do Estado, mas o processo de desarmamento de grupos armados enfrenta resistência. O prazo para essa questão foi posteriormente adiado para junho de 2027.

Uma saída diferente da de 2011

A retirada atual também é diferente da saída das tropas de combate americanas realizada em dezembro de 2011.

Naquele momento, os Estados Unidos encerraram sua presença militar após a guerra iniciada em 2003. Três anos depois, porém, o avanço do Estado Islâmico provocou o retorno das forças americanas ao Iraque a convite do governo de Bagdá.

Agora, Washington afirma que a mudança ocorre em um contexto no qual o Estado Islâmico não controla mais grandes áreas do território iraquiano e as forças locais assumiram a liderança das operações de segurança.

Retirada em meio à guerra entre EUA e Irã

A saída também acontece em um momento particularmente delicado para a região. Os Estados Unidos estão envolvidos em uma guerra com o Irã, conflito que já teve reflexos no território iraquiano.

Milícias apoiadas por Teerã chegaram a atacar forças americanas no Iraque, enquanto os Estados Unidos realizaram ataques contra posições desses grupos. A situação aumentou a pressão sobre Bagdá para equilibrar suas relações com Washington e Teerã.

As últimas tropas americanas deixaram principalmente a região de Erbil, no norte do Iraque, onde permanecia parte dos militares dos Estados Unidos. A saída encerra formalmente a missão militar da coalizão no país e inaugura uma nova fase na relação de segurança entre Iraque e Estados Unidos.

Comentários


bottom of page