Fenômeno climático ameaça economias africanas e pode provocar crise alimentar
27 de jul.
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Um possível "super" El Niño poderá provocar prejuízos econômicos entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões em países africanos e desencadear migrações em massa nas regiões mais afetadas pela escassez de alimentos e água. O alerta foi feito por Anthony Nyong, diretor de Mudanças Climáticas e Crescimento Verde do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB).
Segundo o especialista, o fenômeno climático pode agravar problemas já enfrentados por diversos países do continente, intensificando secas, enchentes e tempestades. A combinação desses eventos tende a aumentar a insegurança alimentar e hídrica, além de ampliar disputas por terras de pastagem e fontes de água em áreas vulneráveis.
As perdas estimadas para a agricultura chegam a cerca de US$ 327 milhões. Já a produtividade da pesca poderá registrar queda entre 1% e 4%, afetando comunidades que dependem dessas atividades para geração de renda e abastecimento de alimentos.
De acordo com Nyong, os impactos econômicos podem reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) dos países mais atingidos em cerca de 1% a 2%. Além disso, governos poderão enfrentar dificuldades para manter investimentos em áreas essenciais caso precisem direcionar mais recursos para responder aos desastres provocados pelo clima.
O Banco Africano de Desenvolvimento também alertou que países já afetados por conflitos, pobreza e insegurança alimentar poderão sofrer consequências ainda mais severas caso o fenômeno alcance a intensidade prevista pelos meteorologistas. O aumento da migração em busca de alimentos e melhores condições de vida é apontado como um dos possíveis reflexos da crise climática.
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