Flávio Bolsonaro termina primeiro turno com 47,03% dos votos válidos; partido elegeu 19 senadores e terá a maior bancada da Casa a partir de 2027
há 4 horas
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As eleições de 2026 provocaram uma mudança significativa na correlação de forças da política brasileira. Além de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da disputa presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), partidos de direita ampliaram sua presença no Senado e conquistaram espaço anteriormente ocupado principalmente por legendas do chamado Centrão.
Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula terminou com 53,9 milhões, ou 45,16%.
Os dois disputarão o segundo turno da eleição presidencial. O resultado representa ainda o pior desempenho percentual de Lula em um primeiro turno presidencial desde 1998. Em 2022, quando enfrentou Jair Bolsonaro, o petista obteve 48,4% dos votos válidos.
Em 2006 foram 48,6% e, em 2002, 46,4%. Em 1998, quando foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso ainda no primeiro turno, Lula recebeu 31,7%.
Entre 2022 e 2026, Lula perdeu aproximadamente 3,4 milhões de votos no primeiro turno. Flávio, por sua vez, recebeu cerca de 5 milhões de votos a mais do que Jair Bolsonaro havia conquistado na primeira etapa da eleição de 2022.
PL cresce e muda composição do Senado
O fortalecimento da direita também apareceu de maneira expressiva na eleição para o Senado.
O PL conseguiu eleger 19 senadores neste domingo. Somados aos parlamentares da legenda que permanecem no cargo, o partido deverá iniciar 2027 com 28 das 81 cadeiras, tornando-se a maior bancada da Casa.
O Novo também terá três representantes. Juntos, PL e Novo deverão reunir 31 senadores, número equivalente a quase 40% do plenário. Além deles, outros parlamentares identificados com a direita foram eleitos por diferentes partidos.
O avanço ocorreu principalmente sobre partidos do centro político. O PSD, por exemplo, perdeu espaço significativo no Senado. Já o PT manteve suas dez cadeiras, enquanto outras legendas de esquerda registraram redução no número de representantes.
A nova composição poderá ter efeitos importantes a partir de 2027, já que cabe ao Senado analisar indicações para tribunais superiores, aprovar autoridades, votar projetos e propostas de emenda à Constituição e decidir sobre eventuais processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Direita também avança nos estados
O resultado das urnas também ampliou a presença do PL nos governos estaduais. Atualmente à frente apenas de Santa Catarina, o partido deverá governar pelo menos cinco estados a partir de 2027, após vitórias também no Paraná, Rondônia, Roraima e Rio Grande do Sul. Outros candidatos da legenda ainda disputarão o segundo turno.
O primeiro turno deixa, portanto, dois movimentos políticos simultâneos: Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno presidencial com vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos sobre Lula, enquanto a direita amplia sua influência no Congresso e nos estados.
A definição da Presidência ficará para o segundo turno, mas a votação deste domingo já redesenhou parte importante do cenário político que encontrará o próximo presidente a partir de 2027.
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