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Francis Halzen ganha Nobel de Física de 2026 por contribuições ao observatório IceCube

há 11 horas
2 min de leitura
Foto: Reprodução/Nobel Prize
Foto: Reprodução/Nobel Prize


O físico de partículas belga-americano Francis Halzen foi anunciado nesta terça-feira (6) como vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2026. O pesquisador foi reconhecido por suas contribuições decisivas para o Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica.

Professor da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, Halzen apresentou em 1988 a ideia de utilizar o gelo da Antártida para detectar neutrinos, partículas subatômicas extremamente difíceis de observar. A proposta levou ao desenvolvimento do IceCube, instalado no Polo Sul.

O observatório ocupa cerca de um quilômetro cúbico de gelo e conta com sensores de luz capazes de identificar os pequenos flashes produzidos quando um neutrino, em raras ocasiões, interage com um núcleo atômico. Como essas partículas atravessam a matéria quase sem interagir, inclusive a Terra e o corpo humano, sua detecção exige equipamentos de grandes dimensões e condições específicas.

Os neutrinos de alta energia são especialmente importantes para a astronomia porque podem viajar pelo espaço sem sofrer as mesmas alterações que outras partículas. Dessa forma, carregam informações sobre ambientes extremamente energéticos e distantes do Universo e podem ajudar os cientistas a investigar fenômenos cósmicos que não seriam observados da mesma maneira por outros métodos.

A construção do IceCube foi concluída em 2011. Pouco depois, o observatório detectou os primeiros neutrinos de alta energia e, posteriormente, permitiu a identificação de partículas que tinham origem muito além do Sistema Solar. A descoberta abriu caminho para uma nova área de investigação, a chamada astronomia de neutrinos.

Segundo a Real Academia Sueca de Ciências, a visão científica e a liderança de Halzen foram fundamentais para transformar a ideia de usar o gelo antártico em um instrumento capaz de estudar partículas provenientes de processos extremamente energéticos no Universo. O comitê destacou ainda que o trabalho do pesquisador abriu caminho para um novo tipo de astronomia.

Halzen nasceu em 1944, na cidade de Tienen, na Bélgica, e concluiu seu doutorado pela KU Leuven em 1969. Ele é professor da Universidade de Wisconsin-Madison e trabalha com pesquisas relacionadas a neutrinos desde a década de 1980.

O cientista recebeu sozinho o prêmio deste ano, no valor de 12 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,2 milhão. Ao comentar a premiação, Halzen afirmou que ficou surpreso com o reconhecimento e destacou que espera que o Nobel contribua para o desenvolvimento de novos projetos científicos.

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