Fraudes em licitações e suspeitas de corrupção são alvo de operação que bloqueia R$ 250 milhões em MG
há 3 horas
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Divulgação/A operação Epicentro cumpriu 101 mandados judiciais em três dias e bloqueou aproximadamente R$ 250 milhões em bens e valores. A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro em Ubá e outras cidades mineira
Operação Epicentro bloqueia R$ 250 milhões e cumpre 101 mandados em investigação em Ubá
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em ação integrada com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), deflagrou, nos dias 19, 21 e 22 de outubro, a operação Epicentro, que investiga suspeitas de organização criminosa, peculato, fraudes em licitações e contratações, corrupção e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos 101 mandados judiciais e bloqueados aproximadamente R$ 250 milhões em bens e valores dos investigados.
As apurações envolvem possíveis irregularidades na construção de um Centro Administrativo em Ubá, na Zona da Mata mineira, iniciada em 2022. Perícias realizadas pelos órgãos técnicos do MPMG apontaram indícios de manipulação do processo licitatório. Segundo as evidências técnicas reunidas, imóveis públicos municipais negociados com a empresa contratada como forma de pagamento pelo contrato administrativo teriam sido subavaliados, causando prejuízo milionário ao município.
A investigação também apura possíveis irregularidades ambientais em permutas envolvendo áreas verdes e espaços destinados a equipamentos comunitários. Conforme os órgãos responsáveis, as negociações teriam violado normas de parcelamento do solo urbano e regras ambientais e urbanísticas.
Outro eixo das apurações envolve suspeitas de desvio de recursos públicos por meio do direcionamento de contratos administrativos para empresas e empresários ligados aos agentes políticos investigados. Entre os casos analisados estão contratos firmados durante o período de calamidade pública provocado pelas enchentes que atingiram Ubá em fevereiro de 2026.
Evidências de fraudes e lavagem de dinheiro
A PCMG e o MPMG reuniram provas documentais e testemunhais que apontam suspeitas de fraudes em licitações e contratações realizadas durante a atual gestão municipal. As irregularidades investigadas envolvem principalmente contratos com empresas responsáveis pela prestação de serviços de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos.
Os investigadores também identificaram indícios de que integrantes dos grupos investigados teriam utilizado pessoas conhecidas como “laranjas” para cometer falsidades e ocultar a origem de recursos por meio de lavagem de dinheiro. Há, ainda, suspeitas de que os envolvidos tenham recorrido a ameaças e intimidações contra pessoas que contrariassem seus interesses privados.
Mandados foram cumpridos em diferentes cidades
No dia 19 de outubro, foram cumpridos 17 mandados de busca e sete de indisponibilidade de bens nas cidades de Ubá, Juiz de Fora, Leopoldina e Visconde do Rio Branco.
Em 21 de outubro, as equipes executaram 28 mandados de busca e 17 de indisponibilidade de bens em Ubá, Divinésia, Belo Horizonte e Congonhas.
Já nesta quinta-feira (22/10), foram cumpridos quatro mandados de busca e quatro de constrição de bens, todos em Ubá. As medidas de constrição determinam o bloqueio ou a restrição de uso dos bens dos investigados.
A Justiça também determinou a indisponibilidade dos imóveis públicos que haviam sido permutados pelo município para a construção do Centro Administrativo. Ao todo, 24 imóveis foram atingidos pela medida.
Entre os alvos da investigação estão autoridades e ex-autoridades do Poder Executivo, secretários e ex-secretários municipais, assessores e ex-assessores, empresários, empresas e outras pessoas relacionadas às apurações.
Bloqueio de R$ 250 milhões
Além do bloqueio de aproximadamente R$ 250 milhões pertencentes aos investigados, foram apreendidos veículos, máquinas e materiais considerados relevantes para a investigação. Os itens estão sendo analisados pela força-tarefa.
Os nomes dos investigados e outros detalhes sobre o mérito das apurações não foram divulgados neste momento, segundo os órgãos responsáveis, para preservar o andamento dos trabalhos. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Belo Horizonte.
Força-tarefa reuniu cerca de 150 policiais
A operação foi conduzida pela PCMG, por meio da Delegacia Regional de Ubá, e pelo MPMG, com a participação da Procuradoria de Competência Originária (PCO) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Visconde do Rio Branco.
A força-tarefa contou com um procurador de Justiça, três promotores de Justiça, sete delegados de polícia e aproximadamente 150 investigadores e escrivães. Também participaram policiais da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), em Juiz de Fora, duas equipes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), agentes do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCOC) de Visconde do Rio Branco e servidores do Ministério Público.
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